Lançamentos na rua Dias Ferreira apontam caminhos de estilo

IModelos rebuscados, cheios de detalhes ou sóbrios, de modelagem geométrica são opções para consumidoras intelectuais, antenadas e modernas 

A pretexto de exibir suas propostas para a abertura da temporada de verão, duas marcas mostraram coleções com histórias bem diferentes e uma coincidência. Tanto a grife carioca como a paulistana ficam na rua Dias Ferreira, no Leblon: do Rio, Isabela Capeto ocupa o número 217-A. Vinda de São Paulo, a UMA, de Roberto e Raquel Davidowicz, está no número 45, justamente onde ficava Isabela logo que saiu do ateliê na Gávea.

Acabam por aí as semelhanças, porque tanto os estilos como a evolução são totalmente opostas.

 

Isabela, mais do que nunca – depois da fase turbulenta, quando enfrentou problemas com a adaptação a um grupo empresarial  e finalmente voltou a ser independente, Isabela Capeto faz uma volta às origens e recupera o estilo artesanal e colorido que fez sua fama. Os cabides da loja exibem lindos vestidos com estampas de carpas vermelhas em fundo azul, batas e camisetas com recortes de pássaros rebordados, modelos com misturas de tecidos transparentes e opacos, como modernos fourreaux. “Esta é a coleção que chamo de Primeira Série Oriental. Já fui ao Japão duas vezes, amo demais. À China, ainda não: tenho até medo, acho que quando for, vou ficar enlouquecida!”, contou, enquanto mostrava os detalhes de listras, estampas de carpas, louças. No lugar do preto, há o azul; uma versão da saharienne combina com saias midi ou longas. Isabela reassume a paixão pelos botões montados com miçangas, as estampas reforçadas com minúsculos bordados, pequenos detalhes que valorizam seu estilo e que eram considerados entraves a vendas de muitas peças pelo grupo empresarial.

Isabela pensa em mais mudanças, depois de ficar apenas com esta loja no Leblon. “Provavelmente vou fazer trunk shows mensais em São Paulo. Talvez mude a loja para outro bairro, se encontrar um espaço maior, com preço razoável. Sei lá, Jardim Botânico, Gávea. Afinal, quando vim para a Dias Ferreira, aqui também não tinha nada, não é?”

Na coleção de verão, um elástico de cabelo, com flor de couro, custa R$ 88; uma camiseta com bordado de peixes, R$ 428; a bata de tricoline com aplicação de estampas, R$ 578.

A UMA, coerente -  sem bordados nem frufrus, a Uma se firmou como um estilo sóbrio, moderno, urbano e muito identificado com São Paulo. Inverno ou verão, o preto predomina. Sol ou chuva, os sapatos têm modelos fechados e pesados. Apesar de tanta seriedade, a Uma encontrou seu público no Rio. “A marca que agrada a arquitetas, designers. Intelectuais, principalmente” definiu Raquel Davidowicz, que lidera o estilo, ao lado do marido, Roberto, que já vivia a rotina da moda, graças ao trabalho dos pais, Sofia e José Davidowicz, que há mais de 40 anos produzem a grife Lucienne Phillipe.

O fato de ser considerada moda intelectual não compromete a beleza das peças: há chemises amplas, que podem ser usadas sobre saias longas, em cambraia com tie dye em tons de cinza e preto; vestidos com sobreposições em malha cinza e uma linha de cetins de algodão em xadrez desfocado verde, com camisas e shorts-saruel.No meio da loja, o vestido coral chama a atenção. Da cintura para cima, o tecido é liso; da cintura para baixo, tem um aspecto amarrotado, um relevo garantido pelo tecido com mistura de viscose e poliéster. “Sempre fui muito exigente com tecidos, tem que ter um toque, um conforto”, contou Raquel, que promete trazer de volta a coleção masculina no fim de setembro. “É uma venda pequena, não estava valendo a pena a produção. Mas bastou anunciar que não teríamos mais, que surgiram demandas...” A moda da Uma tem personalidade, peças versáteis como o regatão que tanto serve como saída-de-praia como uma espécie de forro para roupas transparentes. E custa R$ 70! As camisas de cambraia custam R$ 340 e um vestido listrado em preto e branco, com repuxados, menos de R$ 500, com possibilidades de pagar em quatro parcelas.

O golpe final que justifica o sucesso: muitos modelos desta coleção baseada em geometrias e algumas cores blocadas são produzidos até o tamanho 46. “Não queremos ser inacessíveis, caros demais. Temos uma clientela grande, entre 40 e 60 anos, mulheres modernas, além de jovens intelectuais. Todas merecem nossa atenção”.