Dirigente responde Özil sobre caso de racismo

Em comunicado, Reinhard Grindel lamenta não ter defendido ex-meia

Quatro dias depois da controversa saída do meia Mesut Özil da seleção da Alemanha, sob alegações de racismo dentro da Federação Alemã de Futebol, o presidente da entidade, Reinhard Grindel, lamentou não ter defendido o jogador durante a polêmica envolvendo uma foto de Özil entregando uma camisa do clube inglês Arsenal ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, em maio deste ano.

Grindel, em um comunicado divulgado ontem, reconheceu que deveria ter assumido outra postura durante o episódio, que gerou muita polêmica na Alemanha. Ele lamentou que o caso tenha alimentado a retórica de grupos racistas no país. 

“Como presidente, olhando em perspectiva, eu deveria ter dito, sem nenhuma ambiguidade, o que é uma evidência para mim e para toda a federação: qualquer forma de assédio racista é insuportável, inaceitável e intolerável”, escreveu o dirigente. Na mesma nota, Grindel rejeitou firmemente as acusações de racismo dirigidas a ele, como fez a federação na última segunda-feira, e não pediu desculpas ao atleta. 

No domingo, Özil publicou no Twitter uma carta responsabilizando diretamente Grindel pela sua saída da seleção, acusando o presidente da federação e seus apoiadores de fazerem uso da polêmica envolvendo a foto para “expressar suas tendências racistas antes escondidas”. Ele e Ilkay Gündogan, outro jogador alemão do Arsenal que também possui origem turca e esteve com Erdogan na mesma ocasião, foram bombardeados por jornais e grupos conservadores, como o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD). 

O episódio trouxe de volta aos holofotes o debate sobre o racismo no futebol europeu, agravado pelo pano de fundo das tensões que envolvem a questão migratória no continente. Embora nascido na Alemanha, Özil disse ser tratado como diferente, ao contrário dos colegas de seleção Lukas Podolski e Miroslav Klose, de origem polonesa. “Quando nós ganhamos, eu sou alemão. Quando perdemos, sou imigrante turco”, escreveu o atleta na sua carta de despedida. 

A discussão, no entanto, está longe do fim. Se os problemas descritos por Özil pioraram depois da eliminação da Alemanha ainda na fase de grupos, o meia da seleção da Suécia, Jimmy Durmaz, sofreu diversas ofensas racistas depois de cometer uma falta que levou ao gol de desempate dos alemães em jogo da Copa do Mundo. Ele, que tem origem turco-síria, recebeu ameaças nas redes sociais, onde foi chamado de “terrorista” e “demônio árabe”. Na ocasião, o jogador recebeu o apoio do time e da federação sueca de futebol, que reportou o caso à polícia. 

O atacante da seleção da Bélgica, Romelu Lukaku, também confidenciou o preconceito que sofreu no país durante sua trajetória e expressou reflexão semelhante à de Özil: “Quando faço gol, sou belga. Quando perco, dizem que sou belga de origem congolesa”