Relatório da Uefa alerta para a desigualdade financeira entre clubes

Em relatório oficial, divulgado pelo jornal inglês Daily Mail, a Uefa demonstrou preocupação com o rápido e, praticamente, inalcançável crescimento dos grandes clubes europeus. No documento, a instituição levanta um alerta para a questão da desigualdade existente entre as gestões e acúmulo de riqueza dos times, e aproveita para reforçar a necessidade do fair-play financeiro.

O fair-play financeiro, em questão, diz respeito ao papel da Uefa em "melhorar a saúde financeira global do futebol", para isso, os clubes precisam provar à instituição de que não têm dívidas em atraso, tanto com questões básicos do clubes, quanto com o salário dos funcionários e jogadores, por exemplo. Caso não sejam cumpridas as recomendações, o Comitê de Controle Financeiro de Clubes da Uefa poderá aplicar multas, advertências e qualquer tipo de repreensão, dependendo da gravidade da situação.

A instituição continental cita nove clubes no documento: Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique e PSG. Estes são considerados pela Uefa por terem se tornado grandes marcas mundiais e, com isso, monetizaram suas bases de torcidas por todo o mundo "como nunca antes foi visto". Economicamente, isso significa que estes times tiveram suas rendas anuais aumentadas, em média, em 100 milhões de libras (cerca de R$ 390 milhões), por conta de vendas de camisas e de relações com os patrocinadores, por exemplo.

Este crescimento desenfreado dos maiores da Europa, e do mundo, causa desequilíbrio diante dos demais times no futebol, já que essa riqueza é distribuída entre poucos. A Uefa aproveitou para citar o caso do Leicester, alegando que se este tipo de problema continuar existindo, será cada vez mais difícil ver uma equipe menor vencendo uma competição importante, como aconteceu na temporada passada no Campeonato Inglês.

Ainda assim, a Uefa reforça que o "crescimento tão diferente de ingressos não é consequência do fair-play financeiro, sendo resultado da globalização crescente, e da capacidade dos clubes de aproveitarem suas mais-valias comerciais", conforme o documento. "Como guardiã do futebol na Europa, a Uefa precisa ficar atenta sobre o aumento da concentração de renda de patrocinadores e vendas comerciais entre clubes poderosos", acrescentou.