Iniciativa inédita leva o beisebol ao Parque de Ramos

Muito popular nos Estados Unidos, o beisebol é um esporte que contabiliza milhões de adeptos e vem ganhando, a cada dia, mais admiradores no mundo inteiro, especialmente no Brasil. Praticada por crianças e adultos, a modalidade está lotando clubes, escolas e áreas livres. No Rio de Janeiro, alunos da rede municipal de ensino estão tendo a oportunidade de conhecer o esporte no Parque das Vizinhanças de Ramos, graças à iniciativa inédita em equipamentos esportivos da cidade. Desenvolvida há dois meses, gratuitamente, a atividade despertou o interesse de crianças e jovens locais e começa a ganhar popularidade na região, antes "dominada", em grande parte, pelo futebol. Voltada a alunos de 6 a 13 anos, o beisebol também está atraindo pessoas com deficiência (PCD), que superam suas imitações e se destacam no time. A primeira turma já está em funcionamento, às terças e quintas-feiras, das 13h às 14h, e conta com 22 alunos inscritos. A expectativa é de que este número aumente, uma vez que novos horários serão abertos e não há limite de vagas. 

A iniciativa é fruto de parceria com a Associação para o Desenvolvimento do Beisebol (ADB) e conta com apoio da MLB (Major League Baseball), que não só abraçou a ideia como cedeu material completo (tacos, luvas, capacetes, bolas e equipamento de campo) para o treinamento dos alunos. Além disso, os professores locais foram capacitados pela MLB e aprenderam as regras, conceitos e prática da modalidade. 

- Entramos em contato com a MLB e mostramos o nosso interesse. A partir deste contato, eles vieram conhecer o espaço e se encantaram com a receptividade dos alunos e sua curiosidade para conhecer uma modalidade nova. Com o material em mãos, fizemos uma demonstração e as crianças adoraram. Hoje, dois meses após o início dos treinos, é impressionante ver o quanto evoluíram em concentração, raciocínio e coordenação motora - afirma o gerente administrativo do Parque de Ramos, Elço Júnior. 

A duração da partida, na grande maioria dos esportes, é definida por tempo, como é o caso do futebol e do basquete, ou pela pontuação, como acontece no vôlei e tênis. No beisebol, os jogos são definidos pelo número de eliminações. Assim, o tempo das partidas pode variar de uma hora e meia a seis horas de duração. Durante esse período, as equipes se revezam em turnos de ataque e defesa. Quando um turno se encerra, as equipes trocam de posição. 

No Parque de Ramos, a disputa pelo ataque é grande, uma vez que todos preferem rebater a bola a defendê-la. Entre os alunos que mais se destacam nos treinos está Alex da Silva Silveira, 22 anos, portador de deficiência. Apaixonado por esportes, ele é o melhor e mais dedicado aluno da turma de beisebol, segundo seus professores. 

- Como estudo de noite, tenho muitas horas durante o dia para participar das atividades do Parque. Estou gostando muito do beisebol, especialmente quando chega a minha vez de ser o rebatedor, que é o que adoro fazer - disse Alex. 

Ao seu lado, a professora Maria Carolina Torres destacou o empenho do jovem e falou sobre os desafios de ensinar um esporte pouco difundido na cidade. Para Carol, como é carinhosamente chamada por seus alunos, manter o interesse da turma nos treinos é a tarefa mais difícil: 

- As crianças se aproximam pela curiosidade, por saberem que se trata de um esporte estrangeiro, novo para o universo delas. Nosso trabalho é manter seu interesse nas aulas quando isso deixa de ser uma novidade. Mas eles estão empenhados, sabendo aproveitar esta oportunidade de ouro de conhecerem outras culturas, porque isso representa uma grande vivência para eles. E fico ainda mais satisfeita por ver um aluno PCD evoluir com o beisebol. O Alex está tão bem desenvolvido motoramente que os demais alunos não o veem mais como uma pessoa diferente, mas alguém como eles. Ou seja, não quero saber se meus alunos serão grandes atletas de beisebol ou de qualquer outra modalidade, mas se o esporte vai transformar a vida deles. 

E para aqueles que imaginam o beisebol como um esporte restrito aos garotos, em Ramos a história é outra. Com 10 anos, a estudante Vaneska Ribeiro da Silva não perde um só treino e afirma ter conseguido resolver um problema que sempre a atrapalhou: 

- Tive meu primeiro contato com o beisebol no Parque de Ramos há quase um mês, após a indicação de amigos. Agora que comecei, não passa pela minha cabeça sair. Além de ser um esporte bonito, está me ajudando muito a ser mais atenta e concentrada. E isso está sendo bom para os meus estudos.