O dia em que Thiago Pereira fez história para o Brasil

Nadador é o novo recordista de medalhas em Jogos Pan-Americanos

O Mister Pan confirmou tudo o que se esperava dele nos Jogos de Toronto. Thiago Pereira é o novo recordista de medalhas dos Jogos Pan-Americanos com 23 pódios na carreira (15 de ouro, 4 de prata e 4 de bronze), superando em uma medalha a marca do ex-ginasta cubano Érick Lopes, que tinha 22. No último dia de competição de natação no Pan, Thiago ficou com a prata nos 200 medley e o ouro no revezamento medley em que nadou as eliminatórias e foi substituído na final por Guilherme Guido, no estilo costas.

O Brasil deixa Toronto com 26 medalhas, sendo 10 de ouro, seis de prata e 10 de bronze. De quebra, ainda obteve um recorde mundial júnior, nove recordes brasileiros e sul-americanos, três apenas brasileiros e 11 novas marcas do Pan. Os tempos, vários entre os 10 melhores do mundo, apontam para um Mundial dos Esportes Aquáticos promissor para a natação brasileira, que entra em ação de 2 a 8 de agosto.

No medley, o quarteto que proporcionou o recorde de Thiago, formado por Guido, França, Arthur e Chierighini arrancaram uma vitória com 3m32s68, detonando o antigo recorde dos Jogos, 3m34s37, dos EUA, no Pan do Rio. Guido abriu com 53s12, o quarto tempo do mundo em 2015 e disse que "a energia do time me ajudou a dar o melhor na prova. A gente conseguiu trocar bem e o Marcelo segurou no final. Vamos levar esse ouro pra casa". 

Definitivamente, a medalha nº 23 de Thiago não foi um abraço de urso como no jogo do bicho, e sim um abraço de um grupo unido, como ele fez questão de ressaltar. "Isto é um sonho que vem acontecendo a cada pan-americano, aos poucos. E começou a ficar forte no último, em Guadalajara, quando começaram a falar muito que eu estava próximo. Nada foi fácil, nunca foi pra mim. Aqui teve esta desclassificação nos 400m medley, mas recebi tanto apoio de amigos, família, fãs, o que me incentivou. Agradeço a todos, desde o meu primeiro Pan em Santo Domingo/2003, quando pude conviver com a geração do Gustavo, para quem torcia. E agora espero também proporcionar motivação para uma nova geração de jovens que está começando não só no Brasil como no exterior. Foi difícil a desclassificação e muito triste porque seria mais uma medalha. Mas temos que ser fortes nesta hora. A natação não é esporte individual e sim de grupo, e vim pra cá pra torcer para que meus companheiros dessem uma medalha pra mim e eles conseguiram", disse Thiago. 

Henrique conquistou sua primeira medalha dourada pan-americana, e com 1m57s06 venceu Thiago duas vezes: na piscina e na quebra do antigo recorde da competição, que era de seu companheiro de equipe brasileira desde os Jogos do Rio em 2007: 1m57s79. E Brandonn surpreendeu novamente. Nadando atrás e virando em sexto a maior parte do tempo, ele ligou o motor e garantiu sua segunda medalha na competição, após a vitória nos 400 medley, agora com o bronze na prova mais longa da natação em piscina, os 1500m livre. Com o tempo de 15m11s70, Brandonn quebrou seu próprio recorde nacional, que havia feito no último Troféu Maria Lenk, em abril: 15m12s20.

O revezamento medley feminino foi o outro a subir no pódio no encerramento do Pan, com um bronze proporcionado por Etiene, Jhennifer, Daynara e Larissa. No fim, após a entrega das medalhas dos revezamentos, Thiago foi homenageado no pódio, ao lado do presidente da CBDA, Coaracy Nunes Filho. Pódio que foi invadido depois pela equipe brasileira para comemorar o feito do amigo, companheiro e para muitos deles, o ídolo que tinham no início de carreira. 

Joanna Maranhão terminou em quarto lugar os 200m medley e por uma posição não conquistou mais um pódio.