Peru e Bolívia fazem mata-mata alternativo de boas histórias

Você sabia que Peru e Bolívia já foram campeões da Copa América? Atualmente é difícil imaginar como isso aconteceu, mas é verdade. E até aconteceram boas histórias quando eles levantaram a taça. Agora as duas seleções vão se enfrentar, com a promessa de ser o jogo mais alternativo dessa edição da Copa América - a partida será nesta quinta-feira, às 20h30 (de Brasília), e vai decidir uma vaga na semifinal da competição.

O Peru é considerado bicampeão na verdade, mas o primeiro título é muito antigo, aconteceu em 1939. A competição tinha até outro nome, Campeonato Sul-Americano. E apenas mais quatro seleções participaram, Equador, Chile, Uruguai e Paraguai. Todos enfrentaram todos, e o Peru foi campeão em casa.

Mas a história mais curiosa do Peru aconteceu na Copa América de 1975, logo em um duelo contra o Brasil. As duas seleções se enfrentaram na semifinal. No primeiro jogo o Peru venceu por 3 a 1. Foi um vexame no Mineirão (isso te lembra de algo?). Mas depois a Seleção deu o troco e ganhou em Lima por 2 a 0. O critério de desempate foi curioso, o famoso "cara ou coroa". A moeda foi jogada ao ar e deu a classificação para os peruanos, que bateram a Colômbia na final e foram campeões. Mas vale destacar que aquele time não tinha apenas sorte. Era uma geração forte, liderada pelo craque Teófilo Cubillas.

Já o título da Bolívia foi conquistado em 1963, ainda com o nome de Sul-Americano. E é claro que a seleção contou com seu principal jogador, a altitude de La Paz. Outro reforço foi o técnico brasileiro Danilo Alvim, ídolo do Vasco e conhecido como "Príncipe". Em um torneio de pontos corridos, o time começou com um empate, embalou e foi campeão em cima do Brasil - que não estava com seu time principal - em um jogo maluco: a seleção da casa abriu 4 a 2 no placar, sofreu o empate, mas conseguiu o título com uma cobrança de pênalti no fim.

Depois disso, a Bolívia demorou para surpreender novamente: apenas em 1997 disputou uma final, novamente jogando em casa. Mas o time liderado por Marco Etcheverry ficou pequeno diante do verdadeiro esquadrão que o Brasil montou naquele ano. A dupla Ronaldo e Romário comandou a equipe ao título aplicando goleadas - na semifinal atropelou o Peru por 7 a 0. E na decisão venceu por 3 a 1, em um jogo que a Bolívia dificultou, contou com um frango de Taffarel e acertou bolas na trave, mas saiu decepcionada. O alívio brasileiro no final foi refletido no desabafo de Zagallo: "vocês vão ter que me engolir".

Momento atual

O Peru é uma seleção em contradição: ao mesmo tempo que pretende se renovar, inclusive com a contratação do técnico argentina Ricardo Gareca, ex-Palmeiras, também depende de muitos veteranos para manter um bom nível: Lobaton, Vargas, Farfán e Guerrero têm mais de 30 anos. Claro que a experiência deles deve fazer diferença atualmente - inclusive foram eles que deram o 3º lugar ao Peru em 2011. Mas a nova geração não é tão boa, o que pode frear essa evolução do Peru na busca por uma vaga na Copa do Mundo de 2018.

Já a Bolívia vive o contrário: tem muitos talentos jovens que ainda precisam mostrar em quais níveis estão realmente, como Danny Bejarano e Sebastian Gamarra. Mas por enquanto eles ficam mesclados em um time com veteranos de nível médio, inclusive conhecidos pelos brasileiros, Marcelo Moreno e Pablo Escobar. Na prática ainda é um time fraco, mas que está organizado e pode evoluir, fazendo com que a Bolívia não dependa tanto da altitude para novas conquistas sul-americanas no futuro.