Goleiro de 17 anos sente pressão e vê "frango" decidir final

Deve ser difícil para um jovem de apenas 17 anos carregar nas mãos a esperança de metade de uma cidade de mais de 1 milhão de habitantes. Mais complicado ainda deve ser ter essa missão em um caldeirão com quase 36 mil "inimigos" te pressionando e torcendo por uma falha. Foi o que ocorreu com o novato goleiro Talles, que já tinha resistido à pressão na semifinal contra o Palmeiras, em Barueri. Neste domingo, porém, não teve jeito: um "frangaço" do arqueiro do Botafogo-SP deu o título ao Corinthians, na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2015.

Algo parecia estar errado com Talles já no tradicional aquecimento, realizado no gramado. Corriqueiramente, os arqueiros dos times entram em campo para sentir a pressão da torcida adversária antes do apito inicial. Com o jovem não foi diferente, mas ele não estava bem. O olhar atento dos corintianos que adentravam o estádio já fazia pressão.

Os chutes fracos do preparador botafoguenses eram quase todos defendidos com facilidade pelo goleiro. Mas quando não era... O primeiro erro rendeu alguns gritos da torcida corintiana. Mais atentos, os torcedores aumentaram o som na segunda vez que o arqueiro não encaixou uma bola. Talles começou a ficar distraído e os equívocos tornaram-se mais constantes.

O jovem goleiro  é conhecido pela qualidade com a bola nos pés oriunda de inspiração em Rogério Ceni - até já marcou de pênalti na Copa São Paulo -, mas passou também a errar nos chutes de reposição para o reserva no aquecimento. O resultado? Mais gritos e pressão dos corintianos, tônica que prevaleceu até a ida do atleta para os vestiários.

Durante a partida, o goleiro foi bem no primeiro tempo, com boas intervenções e saídas do gol, como Neuer na Copa do Mundo. Na segunda etapa, também resistiu à pressão corintiana nos minutos iniciais e apareceu bem. Fez defesa espetacular em chute de Yan no ângulo, mostrando por que foi um dos melhores da posição no torneio. Até que, aos 22min, foi com excesso de confiança em chute fraco de Maycon de longe e falhou. Feio. A bola passou entre as mãos e morreu no fundo do gol.

O lance afetou o arqueiro, que mesmo assim recebeu apoio e abraço dos companheiros. No lance seguinte, contudo, tentou fazer uma das várias antecipadas fora da área e errou, demonstrando nervosismo e sendo salvo pela defesa. Só retomou a boa forma após apoio na parada técnica e ainda executou duas boas defesas antes do apito final. O fim do jogo também foi sintomático, com muitos abraços.  A fala era embargada em entrevistas, com lamentações e sem saber como vai ser o futuro.

Talles não era para ser o titular do Botafogo-SP na Copinha: o então dono da posição, Otávio, mais velho, sofreu, em amistoso contra o São Paulo, no fim do ano passado, grave lesão na bacia que o deixou internado na UTI por três dias. Até esta final, Talles não tinha decepcionado: pelo contrário, era um dos destaques do bom time do interior. Com apenas 17 anos, terá que superar no resto da carreira a falha. Ainda há tempo: afinal, tem pelo menos mais duas Copa SP pela frente até se profissionalizar.