Rubinho nega título a críticos e festeja autoestima: é tudo 

Feliz, de bem com a vida e campeão aos 42 anos. Rubens Barrichello vive um ótimo momento nas pistas, onde faturou o título da Stock Car no último domingo e quebrou um jejum de 23 anos sem conquistas (a última havia sido em 1991, na Fórmula 3 inglesa), e também fora dela. Grande parte dessa alegria foi notada nesta quinta-feira, em um evento para o anuncio da parceria da Rodobens com o Instituto Barrichello Kanaan para melhorar a condição de crianças e idosos.

Rubinho enalteceu a conquista da Stock, mas negou que ela foi uma respostas aos críticos. Ao longo da carreira, o piloto, com passagens, pela Fórmula 1 (1993 até 2011), Fórmula Indy (2012), entre outras categorias, conviveu com críticas de imprensa e torcida, ganhou apelidos perjorativos e até foi motivo de gozações pelos anos sem títulos na vitoriosa Ferrari. Nada que o deixe com mágoa.

"Não tem ligação com essas coisas (sentimento de resposta aos críticos). Eu acho que às vezes é construída uma imagem que não é daquele, não é do personagem. E para muitos foi criada uma imagem que não é a minha. Se o leigo pudesse estudar a carreira de um atleta, no caso a minha, e pudesse ver/acompanhar desde o kart tudo aquilo que fiz, ele vai entender que estava falando uma besteira", comentou o experiente piloto.

"Mas a besteira está aí e a gente não vai conseguir satisfazer a todos. Com certeza então essas coisas sempre irão existir. E não é agora, que sou campeão, que tenho que pisar naqueles que fizeram. Isso é uma coisa natural. Quem quiser continuar bagunçando, zoando, vai continuar. Isso faz parte do nosso dia a dia", emendou Rubinho, em entrevista concedida no Kartódromo Granja Viana, em Cotia.

Barrichello ainda fez questão de destacar o recomeço com o título da Stock. O "menino" de 42 anos comemorou o renascimento e foi taxativo ao dizer que isso não tem preço. "Todo dia é um recomeço. Todo dia é dia de levantar e agradecer por tudo o que a gente tem. A gente tem problemas, então é melhor viver com eles e achar que podemos solucionar do que achar que eles não existirão. Renascer dentro da Stock Car, em um momento lindo da minha vida. Sempre digo que esse é um momento lindo que eles estão me conhecendo. Isso para mim não tem preço".

Um dos motivos para a volta por cima de Rubinho é a autoestima. E quem garante isso é o próprio piloto. Ele comentou como encara as brincadeiras que sempre o "perseguiram" na carreira. "Quando educo as minhas crianças, educo de uma forma que muitas vezes falei: 'Dudu (Eduardo), entra na brincadeira dele que vai perder a graça. E se você fizer isso vai ver que a brincadeira não volta'. Isso foi com o "Pé de Chinelo" (paródia com o sobrenome de Rubens, Barruichello), que eu fui lá brincar com eles. Acho que é assim que você constrói um castelo um pouco mais sólido, sabe. Se você quiser concentrar na metade do copo vazio, você vai concentrar. Mas graças a Deus, o meu patamar é para me concentrar na parte do lado cheio", explicou.

E qual o segredo então para absorver tudo de peito aberto e voltar a ser campeão aos 42 anos? O próprio Barrichello fala: "ganhar o título mostra para muitos que a situação é diferente daquela que eles brincaram. E para muitos vão continuar fazendo. Eu fiz a propaganda (da Vivo) para mostrar que a autoestima é tudo na vida. Me sinto bem com a situação da minha vida. Não preciso me sentir bem com alguém brincando. Se alguém brincasse contigo de alguma situação, pode ter certeza que algum nervinho vai mexer dentro do teu corpo. Mas a partir daí se você se olha no espelho e lembra da sua base, o resto é o resto".