Problemas financeiros ameaçam tradicional equipe de basquete de Franca

O Franca Basquete Clube, uma das equipes mais vitoriosas do país, está ameaçado por dificuldades financeiras. Com o fim do auxílio financeiro do seu principal patrocínio, que encerrou o contrato em agosto, o clube tenta se sustentar com a contribuição de sócios-torcedores e de campanhas de doações da torcida.

“O clube precisa de dinheiro para pagar as contas, para acertar a parte de jogadores. Precisamos de R$ 230 mil por mês para a folha de pagamento dos jogadores”, disse o presidente do Franca Basquete, Alexandre Resende. Os atletas têm um mês de atraso no pagamento dos salários.

Localizada a 400 quilômetros da capital paulista, a cidade de Franca é conhecida por ser a capital do calçado e também do basquete. Com larga tradição no município, o basquete francano foi 11 vezes campeão brasileiro e vice-campeão mundial por duas vezes.

O ex-jogador Hélio Rubens participou da conquista de todas essas vitórias nacionais como jogador ou como técnico do clube. “É bastante especial, porque a minha cidade natal é uma tradição que não tem similar no mundo. São mais de 60 anos ininterruptos formando técnicos e atletas e conquistando títulos que nenhuma outra cidade tem”, disse ele.

O Ginásio Pedrocão, onde os jogos são disputados em Franca, é símbolo dessa história. “Quem já jogou aqui sabe que a energia é diferente. A torcida apoia, mas nos momentos difíceis tem que ter a cabeça boa, porque eles [os torcedores] cobram, entendem de basquete”, disse Léo Meidnl, atual ala do Franca Basquete.

Até mesmo os adversários concordam sobre o valor do ginásio francano. “Esse é o templo do basquete. Sempre vai estar lotado, por mais que o time não esteja em um momento bom no jogo, a torcida estará ajudando e acompanhando o time”, disse Arthur Pecos, armador do Paulistano.

André Coimbra, atual pivô do Franca Basquete, disse que os atletas continuam motivados a jogar e tentam deixar os problemas financeiros fora da quadra. “Estou tentando não pensar. Na hora em que a gente entra nas quatro linhas, é só jogar basquete. Cada jogador tem suas conta para pagar, mas a gente está aqui acreditando na diretoria. A gente vai confiar até onde for possível, vai batalhar e estar junto com o time”, declarou.

O presidente do Franca Basquete confia na ajuda da população. Além das doações, que podem ser feitas por meio da página www.francabasquete.com.br, o clube tem feito uma ação nas empresas calçadistas do município. “Cada uma paga um valor por mês. Oito já aderiram a essa forma de patrocínio”, informou.

Ele ainda espera que alguma grande empresa queira se tornar a patrocinadora principal da equipe no próximo ano. “No fim de ano, a parte de marketing das empresas está fechada. É uma fase difícil para arrumar um patrocinador master”, declarou.