Em estreia "fora", Dunga pega caldeirão e time em crise 

Foram quatro vitórias em quatro jogos no retorno de Dunga à Seleção Brasileira, mas o quinto desafio, contra a Turquia, nesta quarta-feira, terá um elemento diferente: será a primeira partida verdadeiramente como visitante após a Copa do Mundo. O Estádio Sukru Saracoglu, do Fenerbahce, promete estar lotado de torcedores apaixonados por futebol, uma atmosfera diferente da dos triunfos sobre Colômbia, Equador, (ambos nos EUA), Argentina (na China) e Japão (em Cingapura).

"Já estamos acostumados com isso. Jogamos contra a Colômbia em Miami, mas tinha 80% do estádio de colombianos. Sabemos lidar com essa pressão", minimizou Dunga.

E a Turquia deve mesmo se apoiar na força da torcida para tentar surpreender o Brasil, já que a seleção europeia, mais lembrada por causa do terceiro lugar na Copa de 2002, vai mal atualmente. Nas Eliminatórias da Eurocopa 2016, foi apenas um ponto ganho em três partidas: perdeu para Islândia e República Checa, e empatou com a Letônia.

Segundo o relato de jornalistas turcos, jogadores do Galatasaray e do Fenerbahce teriam problemas de relacionamento na equipe nacional, prejudicando o time coletivamente. Estrelas como o meia Arda Turan, do Atlético de Madrid, não rendem o mesmo com a camisa da seleção, e a confiança em uma vaga na próxima Euro já beira o zero entre os torcedores.

Apesar da crise e da maioria absoluta de turcos, porém, Dunga não deve enfrentar hostilidade excessiva das arquibancadas. O motivo? Eles amam o futebol brasileiro. Na própria entrevista desta terça, o treinador brasileiro teve que responder duas vezes sobre ídolos do futebol local, como o meia Alex, que tem uma estátua no estádio do Fenerbahce, e o volante Felipe Melo, titular com ele na Copa de 2010 e adorado pelos fãs do Galatasaray.

"É muito forte, tem esse carinho e esse amor dos turcos pelo trabalho realizado pelos brasileiros aqui. Se tem estátua, é porque o Alex mereceu, fez jogos excepcionais aqui na Turquia. O calor humano dos turcos pelo futebol é parecido com o do brasileiro", afirmou o técnico – que, apesar disso, repetiu que só fala sobre atletas convocados na Seleção.