Ministério do Esporte critica proibição 'cínica' de bebida em estádios

Se depender do ministério do Esporte, a proibição à bebida alcoólica nos estádios de futebol deve cair. Nesta quarta-feira, o secretário de futebol do governo federal, Toninho Nascimento, informou que o Estatuto do Torcedor deve ser regulamentado até o final do ano. E não haverá nenhuma indução a barrar a venda de álcool nas novas arenas Brasil afora.

"Acho meio cínica esta proibição. Na Inglaterra, depois de toda a reformulação do futebol de lá por causa das tragédias que ocorreram, a decisão foi de manter (a venda de bebidas). Os nossos novos estádios pressupõem uma mudança de perspectiva", afirmou o secretário, em seminário de gestão esportiva realizado pela Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro.

No novo texto, não haverá nada que induza o Ministério Público a entrar com ações que inviabilizem a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, o que era a dificuldade anterior. A responsabilidade de regulamentar a venda, no entanto, ainda caberá aos estados e municípios. Mas o secretário de futebol tem travado discussões para mostrar que a proibição prejudica os clubes e não evita brigas entre torcedores.

"Está cada vez mais claro que, se os torcedores querem brigar, eles fazem isso fora do estádio mesmo. Tive acesso a um estudo do Botafogo que constata que 55% do público do Estádio Engenhão entrava nos 30 minutos anteriores ao apito inicial. Ou seja, os torcedores ficam bebendo lá fora, gastando dinheiro fora do estádio, e já entram bêbados", explicou Toninho.

A ideia do ministério do Esporte é que, com a volta da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, haja um incremento de renda para os clubes. "Mas é claro que nós precisamos regulamentar isso. A bebida pode ser vendida apenas até o intervalo, por exemplo", afirmou.