DPU colocará Célio de Barros e Júlio Delamare em pauta na casa de Cabral

Representação no Ministério do Esporte já foi encaminhada

A preservação do Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare entrará em pauta nesta quarta-feira (26) em frente à casa do governador Sérgio Cabral, no Leblon. Às 13h, a Defensoria Pública da União(DPU) irá até a Rua Aristides Espínola para explicar aos manifestantes, que estão no local desde sexta-feira, sobre a questão da demolição dos estádios, atualmente suspensa por uma liminar conseguido pela Defensoria Pública Geral do Estado (DPGE).

Nos bastidores, porém, esferas mais altas estarão em evidência muito em breve. Foi enviada ontem uma representação ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, pedindo a ele que tome uma decisão a respeito da conservação dos dois estádios.

O texto lembra que o Parque Aquático Júlio Delamare recebeu R$ 10 milhões em investimentos para o Pan-americano de 2007, também no Rio, e ressalta que tanto o Parque Aquático quanto o Célio de Barros estão na lista dos 176 locais de treinamento para os Jogos de 2016, divulgada pelo Comitê Olímpico Brasileiro em 2012. O objetivo da representação é provar que a preparação do Brasil será clara e fortemente prejudicada pela ausência dos dois equipamentos. 

“O caso do Júlio Delamare é muito forte. Se esse equipamento for demolido, teríamos só o Parque Aquático Maria Lenk, que entrará em reforma em janeiro de 2014 e só volta a ser utilizado em 2016. Os atletas de esportes aquáticos não teriam, portanto, nenhum lugar para treinar no Rio”, diz Ordacgy.

Outro ponto é o desperdício de dinheiro federal. São investidos pelo governo federal R$ 7,3 milhões para a compra de equipamentos específicos para as modalidades olímpicas, além da realização de clínicas e treinamento de atletas. “Ou seja, as verbas federais correm o risco de tornarem-se inócuas com a demolição dessas instalações esportivas”, diz uma parte do texto.

A justificativa do governo do estado, em dezembro de 2012, era de que “criar novos centros de treinamento. tanto o Julio Delamare quanto o Célio de Barros estão defasados, fora dos padrões internacionais. Nós temos o Parque Aquático Maria Lenk e o Engenhão para a natação e o atletismo", disse a secretária de Esporte e Lazer à época, Márcia Lins, hoje substituída por André Lazaroni. A justificativa também envolvia a “vazão do público e livre circulação de pessoas, a pedido da FIFA”.  O detalhe é que está previsto, no local dos dois estádios, "a construção de dois novos prédios-garagem, um deles com heliporto, além de bares e restaurantes".

Especialistas do Conselho Regional de Arquitetura e Agronomi(Crea) e os dois primeiros escritórios contratados pelo governo(Steer Davies e Burle Marx), no entanto, garantiram que não haveria prejuízo à circulação de pessoas com a manutenção dos dois estádios. O governo do Estado, porém, preferiu contratar os serviços de consultoria da IMX, pertencente ao mesmo grupo da OGX, uma das vencedoras da concessão do Maracanã, e que declarou ser necessária a demolição dos dois estádios.

Pauta e assessoria

O defensor público André Ordacgy, que acompanha a questão desde 2012, explicou que irá levar material escrito para os manifestantes, para explicar sobre as questões que envolvem a demolição dos equipamentos.

“É fundamental cuidar dessa questão, porque isso tem de ser colocado na pauta, juntamente com a privatização do Maracanã. É um absurdo o que estão fazendo”, diz Ordacgy, que garantiu assessoria jurídica para os manifestantes. “Se alguém quiser alguma ajuda em esfera federal, estaremos aqui”, garantiu Ordacgy.