Felipão fortalece laços com Goiânia

Luiz Felipe Scolari trabalhou em Goiânia há 25 anos, mas deixou laços fortes com a cidade que visita, nesta semana, com a Seleção Brasileira em preparação para a Copa das Confederações. Treinador do Goiás na temporada de 1988, ele mantém ainda negócios importantes, amizades e uma relação próxima com a população local. Justamente durante os preparativos para a Copa do Mundo de 2014, Felipão fortaleceu essa relação.

Convidado por Alcides Rodrigues (PP), então governador, Scolari foi contratado como embaixador de Goiânia na tentativa de receber partidas do Mundial. “Mais uma vez, ele demonstra aqui o apreço que tem por Goiás”, disse Alcides em um dos dois eventos do qual participou Felipão, em 2008. “Quando tenho a oportunidade, lá na Europa, eu tenho mostrado um pouco de Goiás, do que pode ser feito aqui em termos de futebol”, disse o treinador no encontro.

A candidatura não teve sucesso, já que na Região Centro-Oeste a Fifa optou por Brasília e Cuiabá. Naquele momento, Felipão havia trabalhado na seleção portuguesa, no primeiro semestre, e no Chelsea, no segundo semestre. A participação do treinador, até por conta disso, foi bastante pequena, e Goiânia acabou excluída dos planos para o Mundial. De qualquer forma, não foi o único projeto do treinador na capital.

Também há pouco mais de cinco anos, Felipão direcionou investimentos à construção do Residencial Bougainville, empreendimento à época orçado em R$ 1,5 milhão. Trata-se de um moderno condomínio de flats em região universitária, e considerado em 2008 uma tendência pelo Sindicato da Indústria da Construção em Goiás.

Além do ramo imobiliário, em que pretendia ampliar investimentos, Felipão é o proprietário do Goiânia Golfe Clube, espaço locado há quase uma década para a prática de golfe. Também é embaixador do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER), um dos mais modernos hospitais da capital.

Não foi só o dinheiro conquistado à base de trabalho e títulos que Luiz Felipe Scolari investiu em Goiânia, mas também sua fé. Conhecido pela religiosidade, Felipão já realizou por pelo menos duas vezes a peregrinação da capital até Trindade – uma caminhada de 18 quilômetros que se encerra em igreja intitulada Novo Santuário. “Só depende de fé e trabalho”, declarou em setembro de 2003, quando pagou promessa pela conquista do título mundial no ano anterior.

Tamanha ligação tem a ver com o apreço do povo goiano por Luiz Felipe Scolari. Ainda em setembro do último ano, a Seleção Brasileira venceu a Argentina por 2 a 1, no Estádio Serra Dourada, e a população local vaiou o treinador Mano Menezes. As especulações sobre um possível retorno à Seleção ainda eram embrionárias, mas o público gritou insistentemente “Felipão, Felipão” em meio às vaias. No jogo de volta, em Buenos Aires, Mano foi demitido.

A proximidade entre o atual treinador e Goiânia, porém, não tem relação com a criticada passagem da Seleção pela cidade que não recebe amistosos e nem jogos em meio à preparação para a Copa das Confederações. O acerto entre goianos e a CBF ocorreu ainda durante a gestão de Ricardo Teixeira e apenas foi mantido por José Maria Marin e a comissão técnica liderada por Felipão.

Na manhã da última terça-feira, em treinamento da Seleção na Serrinha, Scolari foi saudado por uma série de amigos locais, à beira do gramado, na sede social do Goiás. Entre eles, Geraldinho, amigo dos tempos em que Felipão foi treinador na cidade, e responsável por intermediar os investimentos que se mantêm até os dias atuais.