Barrada, torcida protesta e sobe em árvore e caminhão para ver Seleção

No primeiro treino da Seleção Brasileira em Goiânia, realizado no reformado Estádio Hailé Pinheiro, conhecido como Serrinha, os torcedores goianos saíram frustrados. Barrados no portão, cerca de 100 pessoas ficaram do lado de fora, esperando por um aval dos membros da comissão técnica para entrarem nas arquibancadas do local, que teve as obras de reforma no valor de R$ 4 milhões. 

Quem não teve paciência de esperar por uma liberação, que no fim das contas acabou mesmo não acontecendo, deu o tradicional "jeitinho brasileiro" para acompanhar a movimentação dos jogadores. Muitos subiram em árvores e chegaram a tomar bronca de policiais que passavam pela região. Eles desciam, mas minutos depois estavam se espremendo no meio da vegetação. 

Cerca de 30 torcedores se aglomeraram em cima de uma caçamba de um caminhão. Um casal optou por subir em cima do próprio carro para ver os atletas. Teve ainda quem espiasse através de pequenas frestas no portão do estádio que pertence ao Goiás. 

Entre todos os barrados ficava claro o sentimento de indignação por não poder ver a Seleção mais de perto. Gritos de "libera, Felipão", "vou torcer para outra equipe, não vou apoiar essa equipe não" e "deixa a torcida entrar" eram ouvidos de quem estava em cima da árvore ou na porta onde sairia mais tarde o ônibus com a equipe verde e amarela. A CBF, porém, disse que a decisão de fechar o treino é da Secretaria de Segurança Pública, e não do treinador.

Quem não reclamavam eram os moradores dos prédios vizinhos a Serrinha. Com visão privilegiada das janelas e sacadas de seus apartamentos, eles acompanharam atentos a cada detalhe do que os jogadores faziam no gramado. Um desses "vizinhos" da Seleção era o torcedor do Fluminense e do Goiás, Leandro Brito. O empresário de 33 anos, que tem uma bandeira da equipe tricolor carioca presa em sua varanda, comemorou a mudança na rotina na manhã desta terça-feira. 

"Foi uma visão privilegiada. Para nós, torcedores do Fluminense, é muito legal ver o Fred, Cavalieri, Lucas, entre outros jogadores tão de perto". O torcedor sentiu apenas falta do atacante Neymar, que ficou de fora da movimentação por estar viajando de volta de Barcelona, onde se apresentou na tarde de segunda-feira. "A gente fica feliz de ver os jogadores do Fluminense, mas é claro que o Neymar, que é a nossa principal estrela, faz falta aqui". 

Se Leandro Brito e a mulher Denise Mesquita comemoraram a chance de acompanhar a Seleção, o mesmo não pode se dizer do filho do casal Leandrinho. O rapaz de 7 anos tinha uma prova na escola e não ficou em casa durante o treino da Seleção. "Ele é Fluminense fanático, louco pelo Fred. Está me dando até pena de ele perder isso aqui. Estou pensando até em buscar ele na escola para acompanhar o fim do treino". 

Segundo Brito, o garoto é tão fanático por Fred que fez os pais viajarem para o Rio de Janeiro para acompanhar um clássico contra o Flamengo, em setembro de 2012, no qual o atacante marcou um gol de voleio e o clube tricolor venceu por 1 a 0. "O garoto comemorou demais quando saiu o gol do Fred".

Apesar da visão privilegiada, o casal viu muito pouco de bola rolando. Na movimentação da manhã, os jogadores que começaram a partida como titulares contra a Inglaterra, no último domingo, ficaram apenas correndo em volta do gramado. Felipão realizou somente um treino rápido com campo reduzido entre os reservas da partida amistosa, que foi realizada no Maracanã.