Seedorf ataca juiz que o expulsou: 'Não teve consideração pela minha carreira'

O craque holandês Clarence Seedorf se calou durante cinco dias, mas resolveu quebrar o silêncio e falar sobre sua polêmica expulsão durante o jogo contra o Madureira, no último domingo (24).  Principal jogador do Botafogo, o meia falou ininterruptamente durante 20 minutos, após o treino desta manhã (29), no Engenhão.

O holandês ressaltou sua história de disciplina em campo e fez duras críticas ao juiz Philip Bennett e lamentou a repercussão que o caso teve na mídia:

"Parece até que aconteceu um desastre natural com muitas mortes. O que aconteceu foi uma situação de jogo. Estou assustado com a repercussão. Uma decepção pela pouca sensibilidade. Em toda minha carreira, mais de 900 jogos, dificilmente fui punido por falar mal com o árbitro. Significa que sei falar com o juiz com respeito. Sei o papel deles no jogo. Eu em nenhum momento fiz pressão. Durante os 90 minutos fui correto. Viram minha ação como um crime. Sei que não estou acima da lei, e sempre a respeitei. Mas sou diferente sim, tenho um currículo. Tenho respeito pelo juiz, e ele não teve consideração pela minha carreira. Tenho minha história, e ela vale", disparou.

Seedorf desmentiu a justificativa dada por Bennett na confusa súmula da partida, motivo de muitas críticas por parte da torcida do Botafogo:

"Essa palavra 'palhaçada' eu não usei, mas não acho que seria uma ofensa pessoal. Talvez os jogadores do Madureira tenham falado e ele pensou que tivesse sido eu. Sou embaixador do Fair Play da Uefa, sei da minha responsabilidade. Por que não vou respeitar o juiz? E não é dizer que todo mundo é igual. Se quero perder tempo, vou fazer com a bola no pé. Essa é a minha maneira, assim como fiz contra o Vasco", argumentou.

O craque ainda se irritou com as alegações publicadas na imprensa de que teria sido expulso por tentar fazer cera no fim da partida, que o Botafogo venceu por 2 a 1. 

"Falaram que eu estava querendo perder tempo, que fui indisciplinado. Vou explicar. Estava tentando organizar o time, como sempre faço. Vi o Cidinho sair, mas não vi ninguém entrar. Não sabia que eu tinha que sair. Senão não tinha esse problema. Perguntei o motivo de ele me mandar sair, não tinha entendido. Não vi meu número. Dois jogadores estavam falando na cabeça dele. Toda minha carreira consegui ter um diálogo com o árbitro. Quando me deu o amarelo, falei que eu já tinha sido punido, então agora vou sair por onde eu quero. E fui correndo. Quando saí que soube que ele deu o vermelho", afirmou.