Novo presidente do Palmeiras assume cauteloso com contratações

Eleito na noite desta segunda-feira para assumir a presidência do Palmeiras, Paulo Nobre terá trabalho no biênio 2013/2014. O novo mandatário alviverde admite ainda não saber o tamanho da dívida do clube para seu mandato, mas prevê que os próximos dois anos no Palmeiras serão de recessão para sanar os problemas financeiros deixados por Arnaldo Tirone.

Calcula-se que a dívida palmeirense seja de R$ 160 milhões. No entanto, o balanço do último mês da gestão de Tirone só será conhecido nos próximos dias. O cálculo, aprovado por uma auditoria interna do clube, precisa ser apresentado também por uma auditoria externa, antes de ser votado pelo Conselho de Orientação Fiscal. O relatório seria apresentado na noite desta segunda-feira, na eleição do clube, mas a auditoria externa atrasou.

 “Com certeza absoluta, vai ser um biênio de recessão. O Palmeiras, não é segredo para ninguém, atravessa problemas financeiros. Porém, não podemos esquecer duas coisas: precisamos cortar custos e avaliar os custos cortados, e o associado não pode 'pagar o pato'. Em segundo lugar, não posso perder de vista que o 'carro-chefe' é o futebol, e o futebol não pode ser relegado ao segundo plano”, analisou.

Em seu discurso inicial, iniciado por volta das 23h30 (de Brasília) desta segunda-feira na sala de imprensa da Academia de Futebol, Nobre admitiu que começará a trabalhar com o orçamento “do zero”, mas garantiu: o atraso na auditoria do fim da gestão Tirone não atrapalhará o planejamento de seu mandato, que deverá adotar uma postura financeira pragmática. Assim, mesmo atrasado em relação a rivais como Corinthians, São Paulo e Santos, o Palmeiras vai atrás de reforços.

“O absurdo da eleição ser em janeiro é que atrasou esse processo (de reformulação do time). O fato de o orçamento não ter sido feito pela atual gestão apenas atrasa um pouco, mas não é sangria desatada”, disse Paulo Nobre, prometendo “ousadia com responsabilidade” na hora de montar o elenco para 2013. “Eu não tenho o direito de comprometer os próximos 10 ou 15 anos do clubes, porque não é certeza de que (o time) será campeão, e porque você não pode comprometer o clube por uma vaidade própria”, completou.

Por enquanto, a gestão de Paulo Nobre à frente do Palmeiras começa com uma notícia ruim para a torcida: oficialmente, o novo presidente ainda não conversou com potenciais reforços. “O problema: eu não tinha caneta para assinar. O mercado não tem culpa de nossa eleição ser feita numa data ‘destemporânea’ como essa”, lamentou. “Não adianta vender ilusões para a torcida. A torcida não é ingênua. Vamos herdar um time montado pela atual gestão.”