Abel Braga diz como vai focar mais no planejamento na Copa Libertadores

O técnico Abel Braga antecipou que ano que vem o planejamento do Fluminense será focado na Libertadores. Mas como isso será feito na prática se este ano o time fez a melhor campanha da primeira fase e deixou a competição por um detalhe? Em entrevista especial à newsletter “Direto das Laranjeiras”, o treinador diz o que mudará na estratégia e cita Corinthians e Internacional como exemplos:

– É priorizar mesmo a Libertadores. Tem que ser assim. Não significa que vá ganhar, mas é a maneira correta. Veja o Corinthians. Chegou num momento e largou o Brasileiro, esteve sempre poupando e se recuperou no final. E falo também com a experiência do Inter: quando ganhamos a Libertadores, usamos a equipe reserva em mais da metade do campeonato gaúcho e em 11 jogos do Brasileiro. Nunca jogamos uma responsabilidade excessiva no time A de que tinha que ganhar o Gaúcho, porque estávamos realmente focados em conquistar a Libertadores. São competições que se misturam e isso não é legal. Não ganhamos o Estadual pelo Inter, mas também não perdemos um jogo.

Segundo Abel, pelo que conquistou em 2012, o Flu pode seguir esse planejamento com mais facilidade em 2013:

– Este ano, não deixamos de focar também no Carioca, porque havia aquela ansiedade do clube, do torcedor e dos dirigentes, já que o Fluminense não ganhava um Estadual há sete anos. Agora, por já termos conquistado o Estadual, acho que é mais fácil conseguirmos isso ano que vem. O Fluminense tem quantos títulos estaduais? E a Libertadores o clube não tem. Não quer dizer que vamos ganhar assim. Mas podemos ter mais êxito com uma atenção maior à Libertadores, em vez de ficar se dividindo. Tem que priorizar, porque a dificuldade é muito maior.

Para sustentar o seu discurso, Abel usa um exemplo que aconteceu no último jogo do Estadual:

– Perdemos o Deco num jogo em que ele não precisava jogar. Já tínhamos ganhado do Botafogo por 4 a 1. E ele falou: poxa, no último jogo, no dia da entrega da faixa, não vou jogar? Aí acabou fora do jogo contra o Boca. Agimos errado. Era não, não vai jogar e acabou. Todo mundo quer ganhar tudo, mas não dá para ganhar tudo. Tanto que esse ano foi considerado histórico: foram dois títulos com o mesmo treinador. Em 1984, foram com treinadores diferentes.

Em 2012, o Fluminense também confirmou a importância de jogar da mesma forma fora de casa no torneio continental, uma característica que já era dessa equipe, de acordo com o treinador:

– Ganhamos três jogos fora de casa na fase de grupos, foi surreal. Mas isso já era deles. Já no mata-mata a preocupação maior é não sofrer gol em casa. Às vezes, um 0 a 0 é melhor do que ganhar por 2 a 1, porque sabemos que no jogo seguinte o adversário vai se atirar. Aí, você faz um gol fora de casa.

Após um ano e seis meses de clube, Abel avalia que o ambiente e o comprometimento do time são as principais qualidades desse elenco, e fundamentais para a conquista de títulos. E nisso, ele teve uma boa participação:

– Eu falo a língua deles, gostaram do meu jeito, porque, se jogador não gosta do treinador, ele está morto. Acho que me aceitaram bem, acreditaram em mim, no que passei para eles, viram que eu não minto, não jogo pelo lado, falo na cara, na boa. A minha relação com eles é muito forte. E cada vez mais o comprometimento foi maior, porque o ambiente era bom. E só se tem comprometimento com ambiente bom, uma coisa puxa a outra.

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