"Perseguido" no Brasil, Federer exalta fãs mais calorosos do mundo

A agenda de Roger Federer foi cheia no primeiro dia de sua vida que incluiu a disputa de uma partida de tênis no Brasil. O tenista iniciou a quinta-feira se barbeando em público em um evento do patrocinador, experimentou o sanduíche de mortadela do Mercado Municipal de São Paulo, enfrentou Thomaz Bellucci no Ginásio do Ibirapuera, concedeu várias entrevistas e, especialmente, distribuiu muitos autógrafos.

O suíço, que visita o Brasil pela primeira vez graças à turnê Gillette Federer Tour, foi derrotado por Bellucci por 2 sets a 1, com parciais de 7/5, 3/6 e 6/4, na rodada de abertura do evento. Mas isso não estragou o dia do atual número 2 do mundo. "Não estou nem 1% triste. Saio orgulhoso, foi uma boa noite para o tênis", disse.

Bellucci converteu o match point por volta das 23h30 (de Brasília) desta quinta e a partir de então um grande número de fãs se reuniu para perseguir cada passo do suíço: primeiro no ginásio, onde os torcedores, especialmente crianças, aguardavam pela saída do jogador de quadra aos gritos de "Roger, Roger".

Depois do lado de fora. Na saída do portão 3 do Ibirapuera, cerca de 300 fãs esperaram até 0h35, momento no qual Federer deixou o vestiário, vestindo uma jaqueta verde e amarela, com a palavra "Brasil" escrita às costas, em letras garrafais. Seguranças o esperavam ali para levá-lo de carro em um percurso de menos de 100 m até a sala de imprensa, mas antes ele parou para distribuir autógrafos e tirar fotos.

Entre os torcedores, de idosos a crianças. Típico de um estádio de futebol, o canto "olê Roger" se fez presente, assim como gritos de "eu consegui!" após uma assinatura obtida na bolinha de tênis, na camiseta, no boné, na biografia ou em outros acessórios carregados pelos fãs.

Havia inclusive uma bandeira dividida entre as bandeiras oficiais de Suíça e Brasil, que o advogado Edgard Raoul, 26 anos, encomendou e que já havia sido assinada por Federer, em encontro durante o Aberto dos Estados Unidos de 2007. Após a saída do carro, Raoul e outros fãs rapidamente correram para a entrada da sala de imprensa, aguardando a chegada do tenista, que deu o recado: dedicaria tempo a eles na saída, após a entrevista.

"Aqui estão alguns dos fãs mais calorosos que já encontrei. Vi pessoas chorando ao me ver. Isso aconteceu outras vezes, mas mais aqui do que em qualquer outro lugar. Agora há pouco estavam tirando suas camisetas para eu autografar", comentou ele aos jornalistas, explicando que antes, devido "à agenda muito corrida" no Brasil, estava "desapontado" por não ter podido interagir como gostaria com os torcedores.

Encerrada a entrevista, Federer cumpriu a promessa, com cerca de mais cinco minutos dedicados a assinaturas e fotos. Ele acenou antes de partir rumo ao hotel onde está hospedado, na região da Avenida Paulista, em um comboio de quatro carros. No percurso até a saída do Ibirapuera, alguns fãs chegaram a correr atrás dos veículos, quando o relógio batia 1h05.

O fisioterapeuta José Carlos Araújo, 36 anos, foi quem mais correu. Ele alcançou um dos carros e, com a janela do carro abaixada, pediu o número de telefone de um segurança. Tudo se explicava: na correria, a amiga de Araújo, a empresária Sheila Raimundo, 29 anos, não conseguiu receber um autógrafo em seu pôster de cerca de 1,50 m de altura, todo recheado com fotos de Federer.

A solução foi entregar o material ao segurança, que prometeu que o devolveria, já com a assinatura do suíço, no dia seguinte. Mais uma tarefa a ser cumprida na movimentada agenda do tenista, que desembarcou no Brasil na última terça-feira. Esta sexta-feira lhe reserva folga pelo menos na quadra, visto que ele só volta a atuar no Ibirapuera no sábado e no domingo. Os adversários serão o francês Jo-Wilfried Tsonga e o alemão Tommy Haas.