Com derrotas nas urnas, P. Amorim luta por secretaria na prefeitura

Patrícia Amorim deixou a Gávea na noite desta segunda-feira chorando. As lágrimas refletiam um período de desgastes que culminaram em duas derrotas que abalaram a primeira mulher a presidir o Flamengo. Ela vai deixar, nas próximas semanas, dois cargos que ocupou nos últimos anos: além da eleição no clube rubro-negro, na qual os sócios rejeitaram a atual administração, a ex-nadadora não seguirá também na Câmara dos Vereadores, já que as urnas não a reconduziram ao Palácio Pedro Ernesto.

O futuro político de Patricia ainda é incerto, mas a ainda presidente do Flamengo é uma das cotadas para assumir a secretaria municipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro. Seu nome não é o mais forte, mas correntes do PMDB, seu partido, defendem que ela seja acomodada na secretaria pela afinidade com a pasta, já que é ex-atleta e sempre atuou nas administrações do Flamengo.

Ela terá, no entanto, que vencer a concorrência com o ex-deputado federal Índio da Costa, presidente do PSD no Rio de Janeiro. O partido ocupará uma das secretarias da nova administração de Eduardo Paes, e o prefeito já sinalizou que pretende contar com Índio, que foi candidato à vice-presidência da República em 2010, na chapa de José Serra (PSDB).

Atualmente, a secretaria é ocupada por Romário Galvão, figura com pouca expressão política. Com a Copa do Mundo e a Olimpíada no calendário dos próximos anos, a secretaria de Esportes e Lazer se tornou uma das mais cobiçadas na estrutura governamental.

Outra possibilidade, menos remota, é que Patricia, quarta suplente do PMDB à Câmara dos Vereadores, assuma à medida em que os eleitos sejam deslocados ara outros cargos nos próximos quatro anos. A visão de partidários, no entanto, é que essa chance é bem pequena.

Na disputa para vereadora, Patricia recebeu 11.687 votos, sendo a 19ª mais votada da coligação que envolvia o PMDB e o PSC. Em 2008, ela chegou à Câmara dos Vereadores com quase o dobro de votos, quando 21.140 eleitores a elegeram. Naquela época, Patricia fazia parte dos quadros do PSDB. O partido tucano se posicionou contrário à administração de Paes, e a presidente do Flamengo migrou para o PMDB. Ela chegou a ter o cargo contestado pelo PSDB, mas acabou absolvida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), sob a alegação de que foi “alijada da vida partidária”.

No Flamengo, Patricia, curiosamente, recebeu mais votos em 2012 do que em 2009, quando havia sido eleita. A mandatária rubro-negra recebeu 914 votos ontem, mas foi suplantada por Eduardo Bandeira de Mello, que obteve 1.414 votos. Em 2009, Patrícia fora eleita com 792 votos, vencendo de forma apertada Delair Dumbrosck, que havia ficado com 699 votos.

Depois de enfrentar uma maratona de 13 horas em pé, na eleição de ontem, Patricia nem esperou o final da apuração. Assim que os votos começaram a ser contados, Patricia sentou-se no fundo da quadra, com ar de desolação. Já previa a derrota confirmada algumas horas depois. Ao deixar a Gávea, não resistiu e chorou.

“Nunca fui de chorar, me entregar. Mas o emocional tá brabo”, reconheceu. As lágrimas expressavam a frustração com o fracasso duplo nas urnas, frutos também de grande desgaste, especialmente pelo Flamengo. No clube, enfrentou acusações de má gestão, o fracasso do futebol e protestos de torcedores inconformados com os rumos do clube. Na Câmara, foi acusada de acomodar em seu gabinete 25 pessoas ligadas ao Flamengo, além de parentes.

“Preciso de um tempo. Preciso descansar”, afirmou Patricia, quando questionada sobre os planos futuros.