Pilotos lamentam incerteza de B. Senna na F1 e culpam crise europeia

Bruno Senna não seguirá na Williams para a temporada 2013 da Fórmula 1 e corre o risco de ficar fora do grid. Precisando de aporte financeiro para conseguir alguma das vagas ainda abertas na categoria, o sobrinho de Ayrton Senna conta, ao menos, com o apoio de colegas da Stock Car, que torcem para que o país tenha mais um representante na maior categoria automobilística do mundo - até o momento, apenas Felipe Massa está confirmado na Ferrari.

"O mundo não vive uma situação muito boa economicamente, principalmente na Europa. E é de lá que vem a maioria dos patrocínios da F1", analisou Allam Khodair, atualmente na nona colocação da temporada da Stock Car (sem chances de título, mas classificado para a Corrida do Milhão, em Interlagos, no dia 9 de dezembro). 

"A Fórmula 1 é uma categoria cara e, por causa disso, muitas vezes grandes talentos são perdidos. Só que o Bruno é um bom piloto e acho que vai continuar no grid", acrescentou.

A Williams não manteve o sobrinho de Ayrton Senna, substituído pelo piloto de testes finlandês Valtteri Bottas. A equipe, porém, renovou com Pastor Maldonado: o venezuelano terminou na 15ª colocação do Mundial de Pilotos com 45 pontos, 16 a mais que Bruno Senna. O brasileiro, por outro lado, foi mais regular ao longo da temporada: pontuou em dez das 20 etapas, contra apenas cinco de Maldonado (que, por suia vez, conquistou a única vitória da equipe, em Barcelona).

"Esse é o jogo. O Bruno vem mostrando resultados muito bons, especialmente para quem começou a competir com 18 anos e que faz um treino livre a menos (por contrato, o brasileiro dava lugar a Bottas ema uma das práticas preparatórias para um GP)", destacou Ricardo Maurício, vice-líder da Stock Car. "Só que o jogo é assim. O pessoal vê muito a classificação final, mas é preciso analisar quem tem regularidade", acrescentou.

Quatro vezes campeão da Stock Car e líder da temporada 2012, Cacá Bueno foi menos crítico na opinião e mostrou conformismo quanto à atual situação do automobilismo mundial - especialmente em competições fórmula. "A grana é fundamental, não tem como não pensar em patrocínio no esporte. E o automobilismo é um esporte, não pode ser diferente. É normal depender de recursos, e por isso um piloto precisa ter todo um pacote fundamental hoje em dia: marketing, publicidade, retorno de mídia e resultados, claro. Mas, no caso do Bruno, ele deve ficar para 2013. Esperamos que isso aconteça".

Átila Abreu, empatado com Ricardo Maurício na segunda colocação da Stock, enveredou-se para o lado da política para lamentar a incerteza que ronda Bruno Senna na F1. "Nosso País precisa de mais leis de incentivos, e hoje em dia conseguir um patrocínio requer muita burocracia. Não vemos apenas o Bruno nessa situação, infelizmente é um problema que temos. E precisamos aprender a passar por isso, pois vem sendo cada vez mais comum", opinou.

Bruno Senna, respaldado pelo impactante sobrenome de Ayrton e por bons patrocínios, pode aproveitar alguma das vagas disponíveis em escuderias de médio porte: Lotus e Force India ainda não definiram os segundos pilotos para o ano que vem. Além disso, as nanicas Marussia, Caterham e HRT possuem um assento disponível cada.