Del Bosque minimiza saída de Mano e diz: Brasil não deixa de ser Brasil

Vicente Del Bosque concedeu uma entrevista ao Terra horas antes de embarcar para o Brasil, onde neste final de semana se conhecerão os três candidatos à Bola de Ouro e se celebrará o sorteio da Copa das Confederações de 2013. O treinador da seleção espanhola classificou o torneio como "um teste de cara" para a próxima Copa. "Nossa experiência antes do Mundial da África do Sul foi boa, porque conhecemos o que nos esperava em um torneio como esse".

Para Del Bosque, a situação que vive o Brasil, que acaba de demitir Mano Menezes, não muda os prognósticos para a competição. "O Brasil não deixa de ser Brasil, não deixa de ser o anfitrião e tem jogadores fantásticos".

O técnico espanhol não quis comentar sobre o rumor que colocara Guardiola como treinador da Seleção, mas acredita que seria positivo para o ex-comandante do Barcelona voltar a trabalhar. "Ele é jovem, já fez muitas coisas pelo futebol e é um apaixonado por este esporte. Ele acrescentou muito ao futebol e ganhou em pouco tempo o que muitos não ganharam em muito", disse Del Bosque.

De acordo com o treinador, a Espanha chega mais madura na Copa das Confederações. "Conquistamos outra Eurocopa, renovamos o grupo e temos um elenco estável", elogiou Del Bosque, que “culpa” o sucesso espanhol aos clubes. "Na Espanha, perdemos o medo a promover rapidamente o jogador da categoria de base. A consciência dos clubes manda cuidar da base, e isso beneficia a seleção. Faz falta que se confie nos garotos, porque no futuro são eles que valem", analisou.

O Real Madrid, que tem vivido momentos confusos em virtude das declarações de José Mourinho, não é uma exceção, segundo Del Bosque, diretor das categorias de base do clube em tempos passados. "O Real Madrid não diminuiu o envolvimento, gasto e dedicação com a base", garantiu.

Parceria Messi e Cristiano Ronaldo, rivais sul-americanos e crise espanhola

Na hora de comentar sobre nomes, Del Bosque, que votou na Bola de Ouro em Iker Casillas e Xabi Alonso, pela liderança, e Iniesta, por ser o melhor jogador da Eurocopa, opinou sobre uma possível parceria entre Messi e Cristiano Ronaldo. "Eles poderiam jogar juntos, como todos os grandes jogadores."

Sobre o assunto treinador, os elogios são para Prandelli, "por sua Eurocopa, mas sou mais amigo de Joachim Löw", para Di Matteo, "pela Liga dos Campeões", e para Guardiola, "uma figura importante dentro do nosso futebol; e não falo por capricho, nem barcelonismo ou antimadriddismo".

Também entre os técnicos, Del Bosque celebra o trabalho de Tito Vilanova, do Barcelona. "É incrível a naturalidade que Vilanova está lidando no Barcelona. O importante é que seja capaz de manter a motivação dos jogadores, que ganharam tanto pelo clube", disse, antes de transmitir elogios para outro nome. "O Atlético de Madrid com Simeone se fez uma equipe. Tinha muitos e altos e baixos, mas agora adquiriu regularidade. Espero um bom clássico (com o Real Madrid), que não se resolva nos primeiros minutos, como nos últimos anos."

Em relação à Copa do Mundo, Vicente Del Bosque vê potencial em muitos rivais. "A Argentina de Sabella tem uma grande equipe. Por trás de Messi, estão Di María, Higuaín, Agüero e dois ou três jogadores mais. O Uruguai vem de ganhar a Copa América. Chile nos trouxe muitos problemas na África do Sul. Paraguai fez a partida mais difícil da Copa. A Colômbia demonstrou ser um rival importante no Santiago Bernabéu. Serão rivais a tomar em conta."

Para 2013, Del Bosque contou seus objetivos. "Temos uma obsessão: classificar para a Copa do Mundo e, a médio prazo, conquistar pela primeira vez a Copa das Confederações". Tratando sobre assuntos fora das quatro linhas, Vicente Del Bosque se despede mostrando solidariedade com a situação do país.

"Espero que a crise não se alargue. Todos temos algum amigo afetado seriamente por ela. Temos que ajudar", disse Del Bosque, antes de se despedir do Terra com um aperto de mão, depois de um grande passeio pela Cidade de Futebol de Las Roszas.