Hegemonia de "monstros" Real e Barça destrói o Espanhol, diz especialista

A rivalidade entre Real Madrid e Barcelona é uma das maiores do mundo. Principais clubes da Espanha, os dois times figuram como protagonistas em todos os campeonatos que disputam e praticamente alternam o título do Campeonato Espanhol. Mas essa hegemonia pode ser prejudicial para o futebol do país. O especialista em mercado financeiro José Maria Gay de Liébana classifica os dois clubes como "monstros" do futebol e que essa soberania prejudica os demais clubes e o torneio nacional da Espanha.

Em entrevista à emissora CNN, Liébana diz que o status hegemônico que Real Madrid e Barcelona alcançaram se tornou tão dominante que os patrocinadores perderam o interesse em apoiar outros clubes espanhóis. "Ter dois monstros como o Real Madrid e Barcelona, dois líderes mundiais no futebol, ofusca os outros clubes da Espanha e prejudica o ", afirmou.

"As empresas de patrocínio esportivo preferem ser o terceiro ou quarto patrocinador destes dois grandes clubes, do que ser o primeiro patrocínio de um clube menor, que tem menos visibilidade mundial", acrescentou.

Liébana ressaltou que a "aparente vantagem" de ter clubes com marcas muito fortes, como Real e Barça, é na verdade um prejuízo grave para muitos clubes que disputam o Campeonato Espanhol. De acordo com o ranking de 2012 da revista Forbes, o Real Madrid é o clube mais rico do mundo em receita - cerca de R$ 1,4 bilhões - e só perde para o Manchester United em valor de mercado.

Já o Barcelona - reconhecido como o melhor time de futebol do mundo, com estrelas como Lionel Messi e Andrés Iniesta em seu elenco - é o segundo clube em receita, atrás apenas do rival Real Madrid. José Maria Gay de Liébana diz que a presença desses dois gigantes, combinados com milhares de euros em dívidas das equipes da primeira divisão da Espanha, deixou os clubes de menor expressão "sem saída".

Tradicionalmente os governos locais da Espanha desempenham um papel importante na gestão financeira dos clubes de futebol. No passado, equipes como o Valência e Atlético de Madrid, como instituições esportivas, receberam subsídios de autoridades locais. Mas, no atual momento econômico, os investimentos estatais em clubes de futebol não é uma alta prioridade para muitos políticos, já que o governo central em Madri enfrenta uma crise e o desemprego crônico de mais de 25%. Com isso, o especialista aponta que o futuro dos menores clubes permanece sem grandes esperanças de fazer frente aos "monstros" Barça e Real e que isso coloca até mesmo o Campeonato Espanhol em risco.