Maracanã: governo deve interceder a favor dos donos de cadeiras perpétuas

Governo promete interceder junto à Fifa para garantir esse direito

A situação dos proprietários de cadeiras perpétuas do Maracanã pode ter uma reviravolta em breve. Proibidos pela Fifa de assistirem aos jogos da Copa do Mundo de 2014 e da Copa das Confederações no estádio, eles devem contar com o apoio do governo do estado na luta por seus direitos.

Existem cerca de 6 mil cadeiras perpétuas no Maracanã. Elas foram comercializadas originalmente ainda na década de 1940, antes mesmo da inauguração, como uma forma de financiar a construção. Os proprietários têm o direito de ocupar seus lugares em qualquer evento realizado no estádio, mas o contrato assinado com a Fifa determina que essa prorrogativa ficará suspensa durante as competições.

Até este mês, os donos dos lugares não vinham encontrando resposta para suas reivindicações e ameaçavam até procurar a Justiça, como já ocorreu durante o Pan-Americano de 2007. No entanto, fontes confirmam que o governo do estado teria, informalmente, se comprometido a interceder junto à Fifa para preservar os direitos dos proprietários. O local onde ficarão as cadeiras perpétuas no novo estádio, outra reivindicação, também estaria perto de ser definido. Questionada sobre o assunto, no entanto, a Secretaria de Estado da Casa Civil, responsável pelo assunto, afirma ainda não ter uma posição:

"O Governo do Estado ainda está avaliando como se dará a destinação das cadeiras cativas durante a Copa do Mundo", explica a secretaria, através de nota oficial.

Acompanhando de perto a questão, o advogado Ricardo Kutwak, que representa um grupo de cerca de cem proprietários, confirma que houve avanços nas discussões com o governo, apesar de ainda não haver um posicionamento oficial:

"No que se refere à Copa, em que pese o posicionamento oficial da Fifa, de impedir o acesso gratuito ao estádio, ficamos contentes e confiantes em razão de declarações do governo, de que a questão provavelmente se resolverá amigavelmente", afirma.

Dono de duas cadeiras, Kutwak também crê que não será preciso buscar a Justiça para garantir uma boa localização do novo setor das cadeiras cativas:

"Até o momento não houve qualquer posicionamento concreto, mas já avançamos em razão de informações extraoficiais no sentido de que a localização das cadeiras será a mais próxima possível da original", conclui.

No Beira-Rio, solução ainda está distante

Outro estádio utilizado durante a Copa do Mundo vive problema semelhante. Trata-se do Beira-Rio, no Rio Grande do Sul. Ao contrário do Maracanã, que é público, a arena pertence ao Internacional e no momento passa por reformas visando a competição.

Segundo a assessoria de imprensa do clube, "os proprietários não poderão utilizar seus lugares durante a Copa", uma vez que o estádio fica cedido à Fifa. A entidade máxima do futebol é quem define a destinação dos ingressos da competição.