Tenista paralímpica pede aceitação dos deficientes 

"Gostaria de na figura da Natália Mayara parabenizar a todos da delegação brasileira", disse o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro Andrew Parsons. "Ela tem a cara do Brasil", completou o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman. "Quero saudar a todos, mas em especial a Natália", iniciou Eduardo Paes em seu discurso. Única atleta paralímpica brasileira presente na cerimônia de recepção da bandeira dos Jogos Paralímpicos, na noite da última segunda-feira, no aeroporto internacional do Rio de Janeiro, a tenista Natália Mayara cansou de ser paparicada.

Aproveitando os holofotes, Natália disse o que espera do Rio de Janeiro e do Brasil como um todo para daqui a quatro anos em termos de mobilidade urbana para os deficientes físicos. "Para mim uma das partes mais importantes é a adaptação da cidade, que o deficiente seja aceito na cidade", apontou, mostrando firmeza para quem recém chegou à maioridade (ela tem 18 anos).

A tenista paralímpica foi a primeira brasileira a disputar o tênis em cadeira de rodas na história das competições. Caiu ainda na primeira fase, mas está entre as 27 melhores do mundo na modalidade (disputam o ouro as 32 mais bem colocadas no ranking) e projeta um futuro diferente atuando no Brasil.

"Eu comecei na verdade fazendo natação", relembra a atleta, quando ainda preferia a piscina à quadra. "Mas logo ali ao lado tinha um quadra de tênis. Aí me apaixonei e não deixei de jogar até hoje", vibra. Pernambucana de nascimento, mas brasiliense quase que de coração, Natália treina desde os 12 anos com o coordenador nacional da modalidade, Wanderson Cavalcante.

"Nesse desafio de estar aqui eu vou dar o meu melhor, tudo o que for possível, porque essa foi minha primeira experiência (em Londres). Agora no Rio eu quero ir para ganhar medalha e ficar feliz", projeta, dando uma risada mais tímida dessa vez.