Seleção ataca clubismo, vê torcida imatura e teme ser estrangeira na Copa 

Cientes de que ficaram longe de uma atuação perfeita, mas sem admitir um futebol ruim na vitória por 1 a 0 sobre a África do Sul na última sexta-feira, os jogadores da Seleção Brasileira detectaram má vontade da torcida presente no Estádio do Morumbi e atacaram as vaias e o comportamento hostil com o time comandado por Mano Menezes.

Daniel Alves foi o mais enfático nas reclamações. O lateral disse que "falta maturidade" para os torcedores e se irritou especificamente com os gritos de Luís Fabiano a cada erro de Leandro Damião. Para ele, é preciso deixar as diferenças de clube de lado em prol de apoio para a Seleção Brasileira.

"O nosso desafio é ajustar isso na Seleção Brasileira. O torcedor está com a mentalidade de torcer por seu time, não pela Seleção Brasileira. Gostaria de avisar a galera que estamos representando o País. Que cobrem a Seleção, e não o time. Não é Neymar do Santos, Daniel Alves do Barcelona ou Lucas do São Paulo", afirmou.

Daniel Alves já tinha se posicionado sobre o tema antes mesmo da viagem ao Brasil. Após a Olimpíada de Londres, quando se apresentou para enfrentar a Suécia, o lateral disse que havia um peso em cada jogador ao defender a Seleção por conta das fortes críticas e cobranças. O jogador citou a Espanha como modelo ideal, onde em sua análise "torcida, imprensa e seleção remam na mesma direção".

O distanciamento dos torcedores fazem com que jogadores temam disputar uma Copa do Mundo em casa como se fossem estrangeiros. O palco da abertura em 2014 será exatamente o Morumbi, e o goleiro Diego Alves disse que o Brasil está virando especialista em jogar como visitante.

"É sempre ruim jogar com essa pressão dentro do País. Quando vamos jogar fora também temos a torcida naturalmente contrária. Muitos de nós jogamos na Europa, vivemos sob pressão por muito tempo. Mas temos que nos acostumar porque a Copa das Confederações e a Copa do Mundo estão chegando", disse.

Mano Menezes evitou entrar em confronto com torcedores ou receitar uma cartilha de como se comportar na arquibancada. No último ano, o treinador chegou a falar que era preciso "educar" o brasileiro para a Copa do Mundo, mas após a vitória sobre a África do Sul pediu apenas compreensão pelo momento de transição.

"Quanto mais novo um time ou uma seleção, mais ela sente a falta desse apoio. Em outros momentos também tive oportunidade de assistir momentos mais duros e hostis aqui. Vi grandes jogadores serem vaiados juntos. Não é algo atípico, novo. Temos que jogar uma Copa do Mundo no nosso País. Teremos adversários com esse esquema tático, mas com qualquer formação você vai ter dificuldades. Se Pelé teve, imagine outros jogadores. Pedimos mais compreensão", disse.