Ex-desafetos, Lucas e Felipe fazem as pazes com empréstimo de guia

Lucas Prado e Felipe Gomes voltaram a dividir o pódio nos Jogos Paralímpicos de Londres neste sábado, mas desta vez em paz. Com a prata e o bronze dos 100 m T11, respectivamente, os brasileiros confirmaram que resolveram os problemas e selaram a paz com um empréstimo de atleta-guia.

O problema começou na terça-feira, quando Felipe Gomes venceu o favorito Lucas Prado e ficou com o ouro nos 200 m T11. Felipe reclamou da postura do companheiro, que teria cantado vitória mais cedo, e ironizou sua colocação final: quarto e último, fora do pódio. "Depois que eu saí daqui, fui para o meu quarto, pensei e vi que tinha falado um monte de besteira. Não era para ter estourado daquele jeito", disse.

"Cada um tem a sua a arma, e ele usou aquela naquele momento. Depois a gente conversou, até porque a gente tinha uma certa amizade extra-seleção. Está tudo certo", disse Felipe, que neste sábado foi vencido pelo compatriota e pelo chinês Lei Xue no Estádio Olímpico. Lucas, por sua vez, minimizou as reclamações e confirmou as pazes.

"Meu amigo, aqui dentro do estádio e da pista vira tudo. Ele acabou pedindo desculpas porque falou sem pensar. Eu jamais falaria mal dele", disse o atleta, que gosta de falar bem de si mesmo como forma de se preparar para as provas. "Se eu não pensar positivo, quem vai? Você não pode. No Parapan-Americano do Rio falei para um jornalista que nos 400 m era ouro ou nada, e naquela vez foi nada. Eu tenho que falar as coisas positivas por mim", complementou.

O contato entre os dois atletas foi restabelecido por uma necessidade de Felipe, que perdeu o guia machucado antes da Olimpíada e estava correndo com Leonardo Souza Lopes, guia de Daniel Silva. Como os dois iam disputar a eliminatória dos 400 m pela manhã, na sexta-feira, Felipe ficou na mão. Coordenadores e membros da comissão técnica foram conversar com Lucas, que cedeu Laércio Alves Martins, um de seus guias.

"Depois disso eu pedi desculpas e tudo", afirmou Felipe, que conquistou o bronze novamente ao lado de Leonardo - Daniel se machucou na semifinal e não pôde disputar a final dos 400 m. "A gente faz parte de um time chamado Brasil e, contribuindo com medalhas, está tudo certo", complementou. Na terça-feira, ele chegou a dizer que era um "desprazer" encontrar o rival.

Lucas, por outro lado, não deve mudar em nada sua postura antes das próximas provas. "Na Paralimpíada vale isso. Ali dentro é um matador de boi: você fala o que quer e escuta o que quer também. Se o que eu falei deu o incentivo para ele ganhar aquela medalha de ouro, parabéns. Na próxima vez ele tem que fazer a mesma coisa então", afirmou.