À espera de torcida crítica, Seleção faz apelo contra vaias no Morumbi 

Cotia (SP) - Fora da disputa das Eliminatórias e com a maioria dos amistosos marcados para o exterior, a Seleção tem a pressão de em cada amistoso em casa tentar se reaproximar de uma torcida exigente e à espera não só de vitórias, mas de bom futebol. Para o primeiro jogo no País neste ano, na próxima sexta-feira contra a África do Sul, a preocupação é ainda maior porque o palco será o Morumbi, conhecido por em ocasiões passadas ter recebido o time nacional com vaias e protestos.

Cientes deste histórico, os jogadores fizeram apelos durante a entrevista desta terça-feira para que os torcedores que forem ao estádio apoiem a Seleção e tenham paciência. Segundo o meia-atacante Lucas, o time de Mano Menezes ainda está em busca de uma identidade e é normal sofrer oscilações. 

"A Seleção ainda está procurando criar uma identificação com o brasileiro. Dependia muito dos ídolos antigos. E a gente ainda está buscando essa identificação. Agora precisamos fazer um bom jogo, uma boa vitória para mostrar que a Copa vai ser aqui. Temos um povo muito patriota e sem dúvida isso vai nos ajudar bastante na Copa do Mundo", disse.

Na última vez que a Seleção atuou no Brasil, em 2007, muitas vaias marcaram a vitória pior 2 a 1 contra o Uruguai. Com o time da casa em desvantagem, Luís Fabiano marcou dois gols e evitou ainda mais protestos. Sete anos antes, bandeiras foram jogadas no gramado do Morumbi diante do sofrível futebol na vitória por 1 a 0 sobre a Colômbia.

A dificuldade na relação com a torcida não fica restrita ao Morumbi. Desde que Mano Menezes assumiu o cargo, em 2010, a Seleção jogou por três vezes no Brasil e só escapou de vaias e protestos na vitória por 2 a 0 sobre a Argentina em Belém. Quando empatou com a Holanda em Goiânia e derrotou a Romênia no Pacaembu, os brasileiros foram alvos de cobranças.

"É o momento de estar junto de nossa torcida, no Morumbi. Vamos estrear na Copa aqui em São Paulo, então acho que é a hora de fazer um bom jogo aqui na sexta-feira", afirmou Hulk, que fará seu primeiro jogo com a Seleção Brasileira dentro do País. O jogador atua no exterior desde os 18 anos.

A preocupação com a recepção é ainda maior por conta da derrota da Seleção na final da Olimpíada de Londres. Mano Menezes recebeu muitas críticas pelo resultado e ainda peso sobre o trabalho do treinador derrotas para os grandes do futebol França, Alemanha e Argentina (duas vezes) e o fracasso na Copa América. A vitória por 3 a 0 sobre a Suécia no último amistoso pouco mudou o panorama.

"A gente tem que ter a torcida do nosso lado. O objetivo é entrar bem, fazer um grande jogo, para que sejamos apoiados do começo ao fim. Infelizmente não deu certo em Londres, agora é pensar no futuro. Ganhamos bem na Suécia, agora precisamos seguir melhorando", completou Hulk.