Seleção faz apelo para reencontro com torcida no Brasil 

Próximo amistoso é contra a África do Sul, no dia 7 de setembro

Encerrada a 12ª partida fora do país em três meses, com vitória por 3 a 0 sobre a Suécia na última quarta-feira, a Seleção prepara sua volta ao Brasil preocupada com a reação da torcida nos amistosos de setembro em território nacional. Neste período, apesar do retrospecto favorável de nove vitórias e três derrotas, o time de Mano Menezes ficou marcado mesmo pela derrota na decisão dos Jogos Olímpicos de Londres e existe temor de vaias no reencontro com os brasileiros depois de quase um ano.

Após a partida em Estocolmo, o técnico Mano Menezes e os jogadores mandaram recados pedindo apoio e dizendo que é preciso se unir em torno da Seleção para a disputa da Copa das Confederações e Copa do Mundo nos próximos dois anos. O Brasil começa a sua sequência de jogos pelo País justamente em um palco em que costuma sofrer com vaias, o Morumbi, diante da África do Sul no dia 7 de setembro. "O povo brasileiro em São Paulo tem a oportunidade de ver a Seleção. compareça, apoie", pediu o corintiano Paulinho, um dos jogadores com mais apelo na cidade.

O Brasil continua sua passagem pelo Brasil enfrentando três dias depois a China, no Recife. No dia 19 de setembro, o desafio é contra a Argentina em Goiânia. Mano Menezes pede compreensão com o momento da Seleção e acredita que só uma boa relação vai garantir uma participação de sucesso na Copa das Confederações e Copa do Mundo. "Precisamos desse apoio quando jogamos dentro do País. Essa dose de compreensão vai ajudar muito para somar uma força maior até 2014", disse.

Desde que Mano Menezes assumiu a Seleção, em 2010, o Brasil jogou apenas três vezes em território nacional. Empatou com a Holanda em Goiânia e ganhou da Romênia em São Paulo e da Argentina em Belém. Ainda sem a pressão sofrida nos dias de hoje, Mano ouviu vaias contra os holandeses, vivenciou um clima de indiferença no Pacaembu e total apoio dos belenenses. Um lance em especial, no jogo diante da Holanda, o deixou irritado.

"Estávamos empatando contra a seleção da Holanda, vice-campeã do mundo, e o Ramires foi expulso. O torcedor gritou olé quando eles tocavam a bola. Não tem cabimento, a gente pode ter uma carinho maior, uma compreensão melhor. Nem sempre vamos fazer um jogo brilhante. O torcedor precisa fazer parte da Copa", argumentou.

Existe uma avaliação dentro da Seleção de que parte da antipatia do torcedor é resultado de uma postura excessivamente crítica da mídia em relação aos jogos da Seleção. A partir da derrota na decisão dos Jogos Olímpicos, em todas as entrevistas os jogadores e o treinador reclamam da cobrança excessiva.

"Tenho notado que a mídia tem um papel importante. O apelo (para a torcida apoiar a Seleção) começa com vocês, já que são os formadores de opinião. Tem que se formar uma boa. Às vezes tem até um desrespeito como em alguns momentos aconteceu depois da prata. Uma coisa é criticar rendimento, trabalho. Outra coisa é criticar pessoas", argumentou Mano.

Daniel Alves segue a mesma linha e acredita que os brasileiros precisam aprender com os espanhóis. Segundo ele, nos país em que atua as pessoas todas remam na mesma direção, diferente do Brasil. "Se tivéssemos unidos, o trabalho iria fluir de outra forma. Essa é a falta que a gente sente aqui", afirmou.