Ex-jogador, garçom brasileiro espera Seleção em hotel

Quando a Seleção Brasileira de futebol se instalar no hotel Sopwell House na próxima terça-feira, em St. Albans, pequena cidade nas cercanias de Londres, um funcionário em especial terá motivos de sobra para se animar: o paulista Luiz Miguel, 24 anos, trabalha como garçom no local e é o único brasileiro em todo o estafe da casa de campo, tendo sido contratado justamente por falar português e servir como "ponte" entre a delegação verde-amarela e os demais membros do hotel. E a presença do time de Mano Menezes ainda vai reaproximar o rapaz de sua grande paixão, o futebol - afinal, ele é um ex-jogador profissional.

Luiz deixou o Brasil ainda adolescente para buscar o sonho de ser jogador. Após alguns testes na Inglaterra, assinou seu primeiro contrato profissional em 2007, aos 19 anos, para defender o Abranches, clube da segunda divisão de Portugal. Jogou lá uma temporada, passou por novos testes na Espanha e foi parar no Torgelow, das divisões inferiores da Alemanha. Foi lá que, no ano passado, uma fratura dupla na perna durante um treino encerrou sua trajetória como atleta.

"Eu comecei a jogar desde jovem, mas saí do Brasil com 18 anos e vim para a Inglaterra tentar futebol, fazer alguns testes. Fui para Portugal e joguei na Alemanha dois anos, onde infelizmente tive uma lesão muito séria, quebrei minha perna, passei por cinco cirurgias. Depois que me recuperei, resolvi traçar um novo plano para mim. Estou tentando entrar na universidade e começar a estudar. No futebol não dá mais porque é um nível muito alto fisicamente", relembra.

Luiz ainda tentou voltar a jogar em alto nível, mas as fortes dores após cada sessão de treinamento o fizeram aceitar que a carreira havia terminado precocemente. Hoje, ele mora em St. Albans na casa do volante Denílson, que pertence ao Arsenal e está emprestado ao São Paulo - os dois dividiam a moradia até ano passado, quando o meio-campista foi repatriado pela equipe brasileira.

"(Conheci o Denílson) através do meu agente, que era amigo dele e me apresentou a ele. A gente sempre teve muita afinidade, ele é uma pessoa maravilhosa. Tudo o que eu passo aqui, todo o conforto que eu tenho aqui, foi ele quem proporcionou. A gente tem uma amizade muito bacana", diz Luiz.

O garçom não conhece pessoalmente nenhum dos atletas da Seleção que estarão presentes nos Jogos de Londres, e vai aproveitar a oportunidade de ser o funcionário com maior proximidade dos atletas para relembrar os tempos de futebol. Como só 18 jogadores são chamados para a Olimpíada, Luiz diz que pode até completar o coletivo se o técnico Mano Menezes precisar. "Pode me chamar que eu vou, largo tudo. Jogo no meio, na lateral, onde ele quiser", brinca.

"Estou ansioso, vai ser uma experiência interessante. Vai ser legal também porque eu vim do mundo do futebol, estou nessa área há bastante tempo. Pensava antes como jogador, hoje penso mais como fã. Lógico que você tem que ser profissional, mas vai ser interessante estar perto deles, ver e também apoiá-los." Pudera: será a chance de olhar de perto os ídolos, fazer novas amizades e - quem sabe - até matar a saudade da bola.