Blatter quer que Havelange perca título de presidente honorário da Fifa

O atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse ao jornal suíço Sonntags Blick que o seu predecessor João Havelange deveria perder o título de presidente honorário da entidade máxima do futebol.

A Suprema Corte da Suíça liberou documentos de uma investigação liderada pelo Tribunal de Zug que aponta o brasileiro como um dos dirigentes que receberam propina da agência de marketing ISL nos anos 90. O outro é seu ex-genro Ricardo Teixeira, presidente da CBF entre 1989 e 2012.

Adotando um discurso combativo contra a corrupção desde a sua reeleição, em junho do ano passado, Blatter afirmou que Havelange "tem que sair". O pleito que o garantiu um quarto mandato à frente da Fifa foi marcado por denúncias de pagamento de propinas.

O suíço foi secretário-geral de Havelange e ganhou sua primeira eleição, em 1998, com o apoio do homem que presidiu a Fifa por 24 anos. Em maio, durante um congresso em Budapeste, foi responsável por iniciar uma enorme ovação para homenagear o carioca de 96 anos, que passou por sérios problemas de saúde recentemente.

Blatter admitiu que sabia das propinas, afinal era um dos principais dirigentes da Fifa nos anos 90, mas que na época aquilo não era crime.

Entenda o caso

Em 11 de julho de 2012, a Fifa divulgou texto comprovando envolvimento de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e João Havelange, atual presidente de honra da própria Fifa, em caso de corrupção. O documento, liberado pela Suprema Corte da Suíça, aponta pagamentos da agência de marketing ISL a ambos em troca de facilidades na aquisição dos direitos de televisão das competições.

Segundo o texto, Teixeira teria recebido pelo menos R$ 26 milhões em propina. Havelange teria sido pago em 1,5 milhão de francos suíços, equivalente a R$ 3 milhões. Cerca de R$ 45 milhões cedidos pela empresa teriam como beneficiário os dois dirigentes.

Eleito presidente da CBF em 1989, Ricardo Teixeira, 65 anos, chegou ao poder do futebol brasileiro tutelado por Havelange, na época presidente da Fifa e genro de Teixeira.

Desde então, Teixeira passou a homem mais poderoso do futebol brasileiro e ficou por 23 anos no poder. Em 2012, o dirigente deixou o comando da CBF, alegando problemas de saúde e familiares e abriu espaço para José Maria Marin ocupar o cargo. Atualmente, o ex-dirigente vive na Flórida, nos Estados Unidos.

No ano passado, João Havelange, 96 anos, renunciou ao cargo no Comitê Olímpico Internacional justamente para fugir de sanções que seriam impostas por causa da relação com a ISL.