"Em casa", Argentina festeja torcida em Foz e desafia Brasil

Tradicional em partidas de futebol, o canto "vamos, vamos Argentina, vamos, vamos a ganhar" ecoou em Foz do Iguaçu nesta quarta-feira, durante a vitória por 96 a 62 da seleção de basquete do país sobre o Chile, pela primeira semifinal do Super Four. Técnico da equipe alviceleste, Julio Lamas festejou a torcida favorável e projetou um "ambiente emocionante" no Ginásio Costa Cavalcanti para a decisão do torneio amistoso, a partir das 21h (de Brasília) desta quinta-feira, contra o Brasil.

"Apesar de estarmos no Brasil, a situação geográfica faz com que parecesse que estivéssemos na Argentina", resumiu Lamas, em referência à localização de Foz do Iguaçu, na fronteira entre os dois países.

Nesta quarta, os torcedores argentinos lotaram a parte do ginásio dedicadas a eles, atrás de uma das tabelas. Em quadra, os jogadores não tiveram dificuldades para vencer um time pouco tradicional no basquete, que só participou de quatro edições de Jogos Olímpicos na modalidade (a última em Melbourne 1956).

Isso aconteceu mesmo sem dois titulares de Lamas, o armador Pablo Prigioni e o ala-armador Emanuel Ginóbili. Os atletas, que têm respectivamente 35 e 34 anos e foram poupados diante do Chile, estão garantidos para enfrentar o Brasil. "Jogamos com o que temos de melhor", adiantou Lamas, exceção feita apenas ao ala Carlos Delfino, que viajou nesta quarta para a Itália, onde acompanhará o nascimento seus dois primeiros filhos (gêmeos).

O jogador da NBA, porém, já vinha sendo desfalque na preparação olímpica, pois sofre com uma lesão na virilha. Por causa disso, ele ainda pode ser cortado do elenco que competirá em Londres, segundo admitiu o técnico, que ainda projetou um "ambiente emocionante" para a final em Foz do Iguaçu.

. "Pelo nível do Brasil, é uma equipe que está chegando aos Jogos igual a nós e 15 dias antes do início ambos têm um exame real, fazendo um clássico de rivais no qual sempre os dois tentamos ganhar", disse.

Campeã olímpica em Atenas 2004 e medalhista de bronze em Pequim 2008, a Argentina está no Grupo A da Olimpíada de Londres e estreia em 29 de julho contra a Lituânia; no Grupo B, o Brasil volta aos Jogos Olímpicos após 16 anos e abre a campanha do mesmo dia, diante da Austrália.

Até a primeira partida no Reino Unido, Lamas admite que seus comandados têm de melhorar, elevando especialmente "a concentração e a velocidade". Na preparação há o "exame real" contra o Brasil e também uma possibilidade de revanche para o País, derrotado pela Argentina na final do Super Four de Buenos Aires, na última sexta-feira, por 80 a 74.

Para que a nova decisão "seja um espetáculo que corresponda", o treinador ainda mandou um recado aos torcedores: "o mais importante é que (Foz é) um lugar ideológico no qual há gente dos dois países que convive educadamente e isso deve ser mantido".

Nesta quarta, os fãs dos dois países estiveram frente a frente especialmente a partir do segundo tempo da primeira semifinal do torneio. Com os brasileiros chegando ao Costa Cavalcanti para acompanhar a segunda partida da noite, a vitória verde e amarela sobre a Espanha B, vaias começaram a ser ouvidas a cada vez que os argentinos ensaiavam seus cantos de apoio. Uma primeira impressão do que virá no maior clássico do basquete sul-americano.