Fifa lava as mãos sobre polêmicas com gandulas: problema é da CBF 

Alguns personagens ganharam um destaque inesperado em algumas partidas de campeonatos estaduais neste início de 2012 no Brasil e levantaram uma discussão há muito esquecida em gramados nacionais. Responsáveis, teoricamente, por simplesmente repor a bola ao campo de jogo, os gandulas acabaram criando contra-ataques, ensaiando jogadas de escanteio, levando técnicos à loucura, salvando gols em cima da linha e até mesmo virando celebridades nos últimos meses. 

Mas de quem é a responsabilidade por normatizar tal questão, definir o que é válido e o que não pode ser feito por esses personagens?

Órgão máximo do futebol mundial, a Fifa já havia se pronunciado sobre um tema polêmico que ganhou notoriedade no Brasil há quatro anos, com as paradinhas. Depois de uma série de questões sobre o assunto e argumentos em defesa aos batedores e de empatia aos goleiros, a Federação Internacional resolveu intervir e coibir tal artifício. Desde 2010, "fintar o goleiro durante corrida em direção a bola é permitido. No entanto, fingir chutar a bola uma vez que o jogador completou a corrida é considerado ilegal de acordo com a regra 14 e a atitude antidesportiva faz o jogador ser punido".

Mas não será a Fifa quem resolverá a questão dos gandulas. Em contato com o Terra a respeito do assunto, a entidade informou simplesmente que não tem como se envolver no tema, uma vez que se trata de total responsabilidade da Confederação Brasileira de Futebol. "Este parece ser um problema interno da CBF, e a Fifa não tem nenhum comentário a fazer sobre o assunto. Não estamos cientes de qualquer envolvimento da nossa entidade com este assunto", resumiu a organização presidida por Joseph Blatter.

Desta forma, ao que parece, caberá à CBF permitir ou vetar rápidas reposições na lateral, como fez a hoje celebridade Fernanda Maia ao entregar a bola para o arremesso de Maicosuel, iniciando um contragolpe que resultou no primeiro gol do Botafogo na vitória por 3 a 1 sobre o Vasco, no domingo, pela decisão da Taça Rio.

A Confederação Brasileira de Futebol também terá a responsabilidade de mediar o caso que revoltou o técnico Vanderlei Luxemburgo no Gre-Nal da final da Taça Farroupilha, o segundo turno do Campeonato Gaúcho. Em um movimento bastante sincronizado com o argentino Jesús Dátolo, o gandula rapidamente colocou a bola sobre o quarto de lua para a cobrança de escanteio e o meia do Inter rapidamente levantou a bola na área, surpreendendo a defesa gremista - em um lance que não teve grandes consequências, mas foi invalidado pela arbitragem.

Fato que não exigirá um critério, mas uma posição mais rigorosa da CBF, se deu no Campeonato Sergipano, quando um gandula do Guarany entrou em campo e salvou em cima da linha um gol certo do Sergipe - o tento não foi validado pela arbitragem, que se viu na obrigação de reiniciar a partida com bola ao chão.