Operários decretam greve nas obras da Fonte Nova, em Salvador 

Os operários que levantam a Arena Fonte Nova, em Salvador, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado na manhã desta quinta-feira. A categoria decidiu pela paralisação após uma assembleia que reuniu mais de mil trabalhadores no local. O movimento também engloba outras 80 obras vigentes no estado e é classificada como de toda a categoria da construção civil na Bahia.

As ameaças do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial do Estado da Bahia (Sintepav) aos patrões de declarar greve já aconteciam há mais de um mês, quando os operários lançaram campanha salarial e iniciaram as rodadas de negociações. Eles exigem aumento de salário de 20% para todos os cargos, aumentar a cesta básica de R$ 130 para R$ 250, pagamento de horas extras nunca depositados, plano de saúde para trabalhadores e familiares e melhorias de condições de trabalho.

Houve uma reunião na tarde desta quarta mediada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, mas não houve acordo. O sindicato patronal enviou uma contraproposta à categoria em que oferecia apenas 10% de aumento e reajuste da cesta básica para R$ 160. Não houve também acordo quanto à questão do plano de saúde. Diante do impasse, a assembleia desta manhã foi convocada e a greve, confirmada.

Após a deflagração da greve, os operários da Fonte Nova seguiram em conjunto em direção ao Fórum Ruy Barbosa, onde se encontraram com outros trabalhadores de obras paralisadas em Salvador. Eles prometem passeatas pelo Centro de Salvador ainda nesta quinta-feira para pressionar o patronato e informar a população quanto aos motivos da paralisação. Cerca de 30 mil pessoas participam do movimento em toda a Bahia.

Cerca de 2.100 pessoas trabalham nas obras da Fonte Nova atualmente. Os operários se revezam em turnos triplos, o que rende 23h de trabalho diários. O esforço serve para fazer com que a praça esportiva fique pronta até o final deste ano, exigência da Fifa para que a capital baiana seja incluída entre as sedes da Copa das Confederações de 2013.

No início de fevereiro, houve uma paralisação originada de descontos de salários considerados ilegais pelos trabalhadores. O movimento parou a obra por três dias, enquanto os líderes sindicais negociavam uma solução para o problema. No fim de março, uma assembleia preparatória para a campanha salarial também paralisou o canteiro por um dia. Segundo o consórcio que realiza o empreendimento, mais de 60% da arena baiana já estão de pé.