Acionista pede para Mercedes deixar F1 e é aplaudido por colegas 

Ainda sem acordo para permanecer na Fórmula 1 em 2013, a Mercedes pode ser pressionada a deixar a categoria. Segundo o diário austríaco Die Presse, um acionista da Daimler, corporação multinacional alemã que é dona da Mercedes, sugeriu que a marca abandone a competição durante a reunião geral anual e foi aplaudido por colegas.

De acordo com o jornal, a reclamação foi feita por Ingo Speich, gerente do fundo Union Investment, acionista da Daimler. Ele teria ressaltado durante a reunião que a Mercedes perdeu terreno para as concorrentes alemãs Audi e BMW no mercado de carros de rua, não sendo mais "a referência de todas as coisas no setor premium".

Segundo a publicação, Speich se referiu à "década perdida" da Daimler e sugeriu que a companhia siga o caminho da BMW, que em 2009 anunciou a saída da Fórmula 1 apenas quatro anos após comprar a Sauber, argumentando que precisava cortar custos em meio à crise econômica internacional. O diário relata ainda que o discurso do gerente do fundo foi aplaudido por outros acionistas presentes na reunião.

A Daimler tem um perfil de acionistas variado: 66,5% das ações pertencem a investidores institucionais e 20,4% a investidores privados. Kuwait Investment Authority, do Kuwait, e Aabar Investments, dos Emirados Árabes Unidos, somam 6,9% e 3,1% respectivamente de participação. As companhias automotivas Renault, da França, e Nissan, do Japão, ainda têm 1,55% cada.

No fim de março, a TV americana Bloomberg anunciou que a Mercedes rejeitou os termos iniciais de uma oferta feita pela CVC Capital Partners, dona de 63,4% da empresa F1, para prolongar o Pacto de Concórdia, acordo firmado para viabilizar a disputa do Mundial entre equipes, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a Formule One Management (FOM, empresa do britânico Bernie Ecclestone detentora dos direitos comerciais da categoria).

O acordo atual se encerra em 2012 e, segundo Ecclestone, já foi renovado por Red Bull, Ferrari e McLaren. De acordo com a emissora, a Mercedes não aceitou a proposta considerando que receberia menos dinheiro que Ferrari e Red Bull - de acordo com o site Sky News, a CVC teria garantido US$ 45 milhões (R$ 82,1 milhões) às duas equipes por um contrato até 2020.

A Mercedes ficou 55 anos sem uma equipe própria na F1 até comprar a Brawn GP e voltar à categoria em 2010. Desde então ainda não conseguiu uma vitória e ficou na quarta colocação dos dois Mundiais de Construtores que disputou. Entre 1995 e 2009 a marca foi parceira e acionista da McLaren - atualmente, segue fornecendo motores para o time inglês e também para a Force India.