Reunião na CBF discute estatuto e possível sucessão de Teixeira 

A Assembleia Geral Extraordinária que acontece a partir das 14h desta quarta-feira, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), pode dar rumos bem definidos à situação de Ricardo Teixeira como presidente da entidade. Convocada pelo dirigente na mesma data e horário em que os presidentes de federações estaduais se encontrariam para debater uma possível sucessão na CBF, a reunião trará à tona assuntos como mudanças no estatuto e o ajuste no repasse mensal aos Estados menores.

A princípio, o objetivo principal da assembleia convocada por Teixeira é colocar em votação uma reforma parcial no estatuto da CBF. Os próprios presidentes das federações dizem desconhecer os pontos específicos que o mandatário da entidade deseja alterar, mas especulam que seja algo relacionado à eventual sucessão de Teixeira no comando: possivelmente, uma manobra para assegurar que o vice mais velho, José Maria Marin, assuma a presidência.

Marin, paulista de 79 anos, é o vice-presidente da CBF para a região Sudeste e "apadrinhado" do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, que lidera o movimento aliado a Teixeira. Do outro lado, as federações "rebeldes" são contra a posse de Marin, e defendem a realização de novas eleições para o caso de Teixeira renunciar ou se licenciar da presidência.

O argumento dos "rebeldes" - que consistem em Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Pará - é que a reforma no estatuto realizada em 2006 prorrogou apenas o mandato de Ricardo Teixeira até 2015, em virtude da Copa do Mundo de 2014. A mudança não se estenderia a José Maria Marin, que portanto não poderia assumir o cargo.

Para mudar o estatuto da CBF, Teixeira precisaria de mais de dois terços dos 27 votos das federações. Isso faz com que outro tema provavelmente seja discutido na assembleia: sabedoras de que o presidente precisa de seu apoio para a reforma estatutária, as federações menores pretendem acertar o aumento do repasse mensal de verba da CBF (atualmente em R$ 30 mil) e, em alguns casos, acertar atrasos deste repasse, que não chegaria com regularidade a alguns Estados.

Todo o debate sobre sucessão, porém, depende antes de uma confirmação: a de que Teixeira realmente deixará a presidência da CBF em breve. Alguns dirigentes de federações estaduais apostam na saída do cartola, creditando o acontecimento a problemas de saúde. Na última terça, enquanto fazia "reuniões preliminares" com mandatários, Teixeira teve uma crise de diverticulite (inflamação intestinal) e dores na perna, e teve que abandonar as conversas para ir ao hospital, segundo a Folha de S. Paulo.

Seja por problemas físicos, pela perda de força política junto à Fifa e ao governo federal, pelas suspeitas constantes de corrupção ou por motivos particulares, a possível queda de Teixeira deve ser o tema central da assembleia desta quarta. Marcada em data específica para "abafar" o encontro das federações sem a presença do principal dirigente do futebol brasileiro, a reunião pode dar resposta às incertezas que rondam a CBF nas últimas semanas.