"Novo Nadal" justifica convite e tenta surpresa no Brasil Open

Os braços não são tão musculosos, a mão dominante não é a esquerda e nem os cabelos são longos. Apesar das poucas semelhantes aparentes, Javier Martí, desde muito jovem, se acostumou a ser comparado a Rafael Nadal, atual número dois do tênis mundial. O aspirante a estrela tem 20 anos, é apenas o 184º colocado do ranking e tenta surpreender no Aberto do Brasil, pelo qual enfrenta o compatriota Fernando Verdasco nas oitavas de final.

A comparação com Nadal já se mostrou pesada nas costas do jovem, conforme ele conta em entrevista exclusiva ao Terra. Essa história começou graças aos grandes resultados obtidos nas categorias anteriores por Martí, campeão de torneios de nível mundial sub-12 e sub-14 em simples e de duplas sub-16 ao lado de Carlos Boluda - que aos 19 anos ocupa atualmente o 976º lugar na lista da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).

"No princípio, com 14, 15 anos eu ficava um pouco nervoso. (Carlos) Boluda e eu fazíamos bons torneios e assim entrava um pouco de pressão", diz ele. "Teve uma época em que fui um pouco pior, mas bem, com 20 anos já não me acontece isso - Nadal com minha idade já havia ganhado Roland Garros e muitos torneios".

A afirmação é verdadeira visto que Nadal, nascido em 1986, chegou a 2006 com dois títulos do Aberto da França e como o segundo melhor do ranking. Martí é menos precoce, mas seu talento continua gerando muito esperança na imprensa espanhola.

Não à toa, em 2010, o jornal Marca o chamou de "diamante de Chamartín", em referência ao distrito de Madri onde fica o clube em que ele trabalha. E não é à toa também que o próprio Nadal convidou o colega para treinar em Maiorca recentemente.

"Treinei três dias com ele, não lembro se faz um ou dois anos. Foi uma experiência muito boa, claro, aprende-se muitíssimas coisas. É o melhor espanhol da história e um dos melhores jogadores da história", diz a promessa que, diferentemente do campeão de dez Grand Slams, é destro e tem o backhand (golpe do lado contrário ao dominante do corpo) com apenas uma mão.

Martí já não está mais na idade de se deslumbrar com elogios da imprensa: "está claro que se deve olhar as coisas boas de Nadal, porém seguir meu caminho". Ele ostentava na semana passada o melhor ranking da carreira: 181º. Pouco para quem já foi comparado ao astro de Maiorca, muito para quem abriu 2011 em 335º.

No Aberto do Brasil, o jovem disputou, na última segunda-feira, apenas a sétima partida em nível ATP e conquistou a segunda vitória, superando o português Frederico Gil, 26 anos e número 87 do mundo. O resultado ajudou o especialista em saibro a justificar o polêmico convite recebido da Koch Tavares, promotora do torneio e parceira de longa data da Octagon, empresa de marketing esportivo que gerencia a carreira do atleta.

Nas oitavas de final o teste será mais duro: contra o conterrâneo Fernando Verdasco, ex-top 10 e atual 27º do ranking, que também vive em Madri. Um velho conhecido. "Na semana passada treinamos em Chamartín. Nos conhecemos bem. É uma partida difícil, mas quem sabe eu possa fazer uma surpresa", projeta Martí.

Caso realmente surpreenda e faça boa campanha no Brasil Open, a promessa voltará a se aproximar de Nadal, campeão do torneio em 2005, quando a disputa ocorria na Costa do Sauípe, na Bahia. Na ocasião, o hexacampeão de Roland Garros era apenas o 48º do planeta e conquistou o segundo título da carreira. Pouco menos de quatro meses depois ganharia o primeiro troféu no Aberto da França.