Seleção de Zâmbia volta ao local de tragédia para ser campeã 

A final da 28ª Copa Africana de Nações, neste domingo (12), acontece num lugar especial para os zambianos, que enfrentam a favorita a seleção de Costa do Marfim em Libreville, às 17h30 de Brasília, com transmissão ao vivo pelo Portal Terra. A chance do título inédito se oferece no Gabão, exatamente no lugar que marcou o futebol de Zâmbia por sua maior tragédia.

Em 28 de abril de 1993, logo após uma escala, caiu em território gabonês o avião militar que transportava quase todo o time líder do seu grupo nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Os zambianos acabaram não conseguindo a classificação, mas montaram um novo time e obtiveram o vice-campeonato africano no ano seguinte. Raro sobrevivente foi o capitão Kalusha Bwalya, que jogava no holandês PSV e pegou outro voo para a partida que seria disputada no Senegal.

Revelado na Olimpíada de 1988, quando sua turma goleou a Itália por 4 a 0, Kalusha agora preside a associação de futebol zambiana. E levou a delegação para visitar o local do acidente aéreo, no litoral da capital Libreville, e prestar homenagens aos mortos, antes da decisão.

Como o torneio é disputado na Guiné Equatorial e no Gabão, os zambianos atuaram somente em cidades guineanas até a semifinal. De acordo com os arquivos do site da Federação Internacional de Futebol (Fifa), a seleção de Zâmbia, desde o desastre, só voltou ao Gabão uma vez. Por coincidência, um ano depois, pela fase qualificatória da Copa Africana. Perdeu por 2 a 1.

Rei breve

Ao campeão, caberá o mais curto reinado da África, pois, em janeiro de 2013, haverá nova edição do torneio, em estádios sul-africanos. Será uma readequação do calendário da competição. Até hoje, os egípcios foram os vencedores com título mais efêmero, que durou de 21 de janeiro de 1962 a 1º de dezembro de 1963.

Atual tricampeão e recordista com sete títulos, o Egito não garantiu vaga desta vez. Assim como as potências continentais Camarões e Nigéria, vizinhos dos países-sedes. Outras duas seleções do último Mundial, África do Sul e Argélia, também não se classificaram. Por isso, rascunhava-se uma decisão entre Costa do Marfim e Gana.

Mas o desfecho será em laranja e verde, cores das duas finalistas. Apelidados deChipolopolo, que se traduz como "balas de cobre", os zambianos tentarão abater os Elefantes, apelido que traduz o poderio marfinês.

As principais estrelas da Costa do Marfim brilham na Inglaterra. O destaque é o goleador Didier Drogba, que atua no Chelsea com o meia Salomon Kalou. O camisa 10 Gervinho, apelidado à brasileira, pertence ao também londrino Arsenal. O volante Yaya Touré, ex-Barcelona, virou ídolo no milionário Manchester City.

Em suas cinco partidas na competição, a equipe mais badalada do continente não sofreu nenhum gol. Venceu o Sudão por 1 a 0 e o clássico com Burquina Fasso por 2 a 0. Escalando reservas, bateu Angola por 2 a 0. Derrotou Guiné Equatorial por 3 a 0 e Mali por 1 a 0.

Zâmbia estreou surpreendendo, ao bater Senegal por 2 a 1. Em seguida, empatou em 2 a 2 com a Líbia e derrubou a anfitriã Guiné Equatorial por 1 a 0, conquistando a liderança do seu grupo e fugindo de um confronto contra os marfinenses nas quartas de final. O adversário indesejável sobrou para os guineanos. Os zambianos bateram os sudaneses por 3 a 0 e, por 1 a 0, se fizeram de zebras contra os ganeses, quadrifinalistas do Mundial de 2010. O atacante Emmanuel Mayuka, de 21 anos, do suíço Young Boys, concorre ao prêmio de craque da Copa.

Marfinenses e zambianos chegam à decisão pela terceira vez. Mas os Elefantes conquistaram a taça apenas em 1992, contra Gana, nos pênaltis. Do mesmo jeito, perderam para o Egito em 2006. Zâmbia sucumbiu diante do Zaire em 1974 e da Nigéria em 1994.