Patrocinador ignora polêmica e prevê investimentos para Rio 2016

Os crescentes protestos e a pressão do público e de organizações não-governamentais não vão afastar a Dow Chemicals, a mais polêmica patrocinadora dos Jogos Olímpicos de Londres, de seus objetivos. Em entrevista ao jornal The Guardian, o vice-presidente da empresa, George Hamilton, confirmou que o acordo com o Comitê Organizador britânico será mantido e adiantou que prevê investimentos para os Jogos de 2016, no Rio de Janeiro.

O acordo pelo patrocínio do Estádio Olímpico entrou na mira de ativistas porque a Dow Chemicals é dona da Union Carbide, empresa responsável pelo acidente de Bophal, na Índia, em 1984. Na ocasião, o desastre ambiental ocorreu pela liberação de gases tóxicos na atmosfera, causando a morte de mais de 20 mil pessoas. O Comitê Olímpico Britânico é um dos órgãos que faz pressão pelo cancelamento do contrato.

"Seria ótimo não ter nenhuma polêmica, mas quando você conversa com outros patrocinadores e com outras partes da organização olímpica, você percebe que ao longo dos anos a Olimpíada tem se tornado uma plataforma livre para que organizações e indivíduos possam colocar suas opiniões", minimizou George Hamilton, que conta com o apoio do Comitê Organizador dos Jogos de Londres, que resiste aos protestos.

"Isso não irá nos deter. Nós estamos comprometidos com o nosso patrocínio olímpico, tanto com Londres como com os próximos Jogos, e estamos comprometidos a fornecer uma tecnologia que faça a Olimpíada a mais bem sucedida da história", apontou o dirigente. De acordo com a publicação, a empresa já foca acordos para os Jogos de Inverno de Sochi, em 2014, e para a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

O "trunfo" da Dow Chemicals no caso é o fato de que a empresa não era dona da Union Carbide à época do desastre - aquisição foi feita apenas em 2001. As compensações financeiras pelo acidente ambiental já haviam sido quitadas em 1989. Em 1994, a Union Carbide havia deixado a Índia, ao vender sua subsidiária no país. Por isso, o acordo deve ser mantido, apesar dos protestos.