Governo: culpar União por acidentes na Copa é "inegociável"

A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT), informou nesta quinta-feira que a orientação da presidente Dilma Rousseff é de não se sujeitar às exigências da Fifa de incluir como responsabilidade do governo brasileiro quaisquer problemas de segurança e até fenômenos da natureza, como desastres naturais. Nas palavras da coordenadora política do governo, é "impensável" e "inegociável" o governo arcar com todos os incidentes ocorridos durante o Mundial.

"Isso é inegociável, impensável, não tem conversa. Isso é 'imexível'", garantiu a ministra, que participou da abertura dos trabalhos do Congresso Nacional, em Brasília. A expressão foi a mesma utilizada pelo ex-ministro do trabalho Antônio Rogério Magri na década de 90, da pasta do Trabalho no governo de Fernando Collor, ao se referir ao salário do trabalhador brasileiro na época.

Um impasse na definição sobre em que medida a União poderia ser responsabilizada por eventuais problemas na realização do Mundial foi responsável por inviabilizar a votação da Lei Geral da Copa do Mundo no Congresso Nacional no final do ano passado.

Quando esteve no Brasil para vistoriar obras nos estádios que serão palco da Copa, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, voltou a insistir na responsabilidade civil da União durante o campeonato:

"Com relação à segurança, desastres naturais ou segurança no País isso não pode ser responsabilidade da Fifa. Isso tem que ser responsabilidade do governo. Não podemos ser responsáveis por eventos desse tipo, não pode ser da Fifa. Segurança e educação são responsabilidades do Estado, como tantas outras coisas", disse ele na ocasião.