"Acho que o futebol do Egito vai acabar", diz brasileiro do Al-Ahly 

Testemunha ocular da tragédia que deixou 74 mortos e centenas de feridos em Port Said, no Egito, o atacante Fábio Júnior, do Al-Ahly, relatou os momentos de horror após o apito final da partida entre a sua equipe e o Al-Masry, nesta quarta-feira. 

Em entrevista por telefone ao Sportv, na madrugada desta quinta, o brasileiro descreveu a cena dos vários feridos entre os atletas acuados no vestiário pelos torcedores rivais e opinou que a tragédia pode ter severas consequências para o futebol egípcio - que teve seu campeonato nacional suspenso por tempo indeterminado após o episódio.

"Eu tive muito medo, pensei primeiro na minha família nessa hora. Mas graças a Deus, não aconteceu nada comigo. Nós estávamos no vestiário e a torcida querendo entrar e não tinha quase segurança nenhuma. No mesmo instante vinha um torcedor sangrando, outro com perna quebrada dentro do vestiário para o doutor acudir. Nesse meio, eu fiquei com muito medo e o presidente da gente (Al-Ahly) deu uma entrevista dizendo que não vai ter mais não.... Eu acho que o futebol do Egito vai acabar por causa dessa violência, porque não tem segurança nos estádios", descreveu o atacante de 29 anos, autor do gol inaugural da partida no Estádio de Port Said, que terminou com derrota por 3 a 1.