Palmeiras inicia ano com turbulência, deboches e "fantasma dos camarões"

O ano de 2012 começou exatamente como terminou a temporada passada no Palmeiras: com turbulência nos bastidores. Neste sábado, após a vitória por 1 a 0 contra o Ajax, em amistoso internacional realizado no Estádio do Pacaembu, o técnico Luiz Felipe Scolari detonou a diretoria por supostas "piadinhas e deboches" contra futuros reforços, e foi retrucado pelo vice-presidente Roberto Frizzo, que relembrou dos "camarões" exigidos pelo treinador. O "fantasma" ainda assombra o Palestra Itália.

"É uma bobeira. Não tem nada a ver. Qual a piada que eu fiz para depreciar as pessoas? Eu só fiz piadas para não falar com vocês (imprensa) sobre o jogador. Eu não quero ficar abrindo sobre as contratações. Falar que as minhas piadas prejudicam seria o mesmo que dizer que o elenco ficou chateado com expressão de que ele queria camarão, que ele estava dizendo que os outros eram jogadores piores. E não é isso, é?", ironizou o vice palmeirense.

A declaração de Frizzo diz respeito às "patadas" de Felipão contra a diretoria neste sábado, logo após o amistoso. Revoltado pela ausência de reforços "camarões" - chegou a dizer que "camarões, para ele, só em Santa Catarina", onde passou férias -, como havia solicitado no fim de 2012, o comandante disparou contra a cúpula alviverde. Ironizou o planejamento do ano passado, mostrou descontentamento com o atual elenco e ainda detonou uma suposta conduta suspeita dos diretores, que - de acordo com o técnico - pecam pelo excesso de "piadinhas e deboches" com os possíveis reforços.

"Perdemos o Wágner para o Fluminense por razões assim, e por piadinhas mal-colocadas ele não veio porque pensou que debocham dele. Aí, perco jogadores. Tem que fazer pergunta sobre piadinhas a quem as faz e a quem pode tirar os jogadores daqui. Jogar aqui é de grande honra, mas ninguém quer ser debochado e nem gosta de deboche", disparou o treinador, fazendo referência a algumas declarações de dirigentes alviverdes.

Um dos alvos da "ira" de Felipão é justamente o próprio Frizzo, autor de frases controversas sobre eventuais reforços - como o lateral Jonas. ¿(Ele acertou com o Santos) Porque estava escrito na bíblia, já que o Jonas vai para a boca da baleia¿, declarou quando o atleta estava próximo de acertar com o rival - o que não ocorreu, fazendo trocadilho com personagem de passagem bíblica e mascote do clube alvinegro. O dirigente também fez graça com Hernan Barcos, atacante pretendido pelo Palmeiras - e confirmado pelo próprio Felipão - ao dizer que o clube "não era a Marinha".

"O atleta que queria e gostaria é o Jonas, mas por questões de piadinhas ou brincadeiras, ou não acertos e inviabilizações que se colocam, ainda não veio ele", continuou Felipão, que deu "cutucadas" na diretoria em quase todas as suas respostas ao longo de sua entrevista. Questionou, por exemplo, a ausência de reforços. "Até 3 de janeiro estava de férias, e nem gato e nem rato encontraram meu telefone. Não falei com ninguém, não contratou ninguém também. Se não veio ninguém, vou fazer meu serviço com o que tenho", declarou.

Em meio à turbulência, o Palmeiras inicia sua temporada da forma mais turbulenta possível. Cerca de 500 torcedores foram protestar na Academia de Futebol no começo do ano, o ídolo Marcos se retirou dos gramados, gritos de protesto ecoavam das arquibancadas do Pacaembu neste sábado, e a troca de farpas política dentro dos seus corredores parece não ter fim. Ao menos por enquanto, nada de "camarões" para o torcedor palmeirense. A não ser que deem um pulinho lá em Santa Catarina...