Rivais, São Paulo e Corinthians divergem até em moicanos e chuteiras

Está no quadro de avisos do refeitório das categorias de base do São Paulo no Centro de Formação de Atletas em Cotia. É uma montagem com as fotos de Neymar e Lionel Messi: de um lado, o craque santista com penteado moicano e brincos. Do outro, o argentino, melhor do mundo, sem acessórios e com o cabelo no lugar. A frase abaixo das fotografias faz menção ao Mundial de Clubes da Fifa recente e diz muito sobre os métodos são-paulinos: "meninos, viram quem é o melhor"?

Eliminado de maneira precoce da Copa São Paulo de Juniores na última terça-feira, o São Paulo mais uma vez mostrou o que faz parte de seu regulamento e destoa por completo do que ocorre na base do rival Corinthians: em Cotia, são proibidas chuteiras coloridas, brincos, correntes, apelidos e penteados fora do convencional. A determinação parte diretamente do presidente Juvenal Juvêncio.

"Isso é uma orientação da diretoria, faz parte da filosofia do São Paulo", explica José Geraldo de Oliveira, supervisor das divisões de base do clube.

"Aqui, orientamos o uso apenas de chuteiras brancas, pretas ou vermelhas, sempre das cores do clube. Fazemos uma análise para liberar", diz Geraldo. É ele quem, pessoalmente, realiza o pente fino nas chuteiras dos jogadores antes das competições.

Dirigentes são-paulinos possivelmente ficariam chocados em comparecer a um treino do time júnior do Corinthians. Com 22 jogadores em campo, o coletivo comandado pelo treinador Narciso transcorre normalmente. Difícil mesmo é encontrar alguma chuteira preta. São só duas entre todos os garotos. Costuma ser a regra dos clubes grandes.

"Aqui não proíbo nada. Cada um tem sua personalidade. Procuramos é conversar com eles", afirma Narciso. "Isso virou uma moda, não tem jeito. O menino vê o Neymar com uma chuteira laranja, quer uma laranja também. Eu nunca vi o Neymar com uma chuteira preta. Hoje é difícil de ver uma. Na minha época tinha mais. Nem colorida existia".

No São Paulo, entretanto, o aviso é feito logo na chegada. "Quando o menino é admitido aqui, a família é orientada de que esse é o perfil que gostamos. Sem brincos, moicanos, nada", explica Geraldo. Os jogadores da base estudam no Colégio Adventista, de Cotia, onde também é feito o controle. "Eles tentam burlar, mas os funcionários da escola são orientados a proibir".

O Corinthians só não admite mesmo, ressalva o próprio Narciso, é chuteira verde. A menção ao rival Palmeiras é direta. "Há uma grande rivalidade e o torcedor pega no pé. Já vimos esses exemplos e por isso evitamos ao máximo em jogos. Em treino até é possível", conta o treinador. No São Paulo, sequer passa pelo portão de entrada do Centro de Formação de Cotia.