Pelé e Ronaldo usam prestígio para apagar "incêndios" da Copa 2014

Designados respectivamente por Dilma Rousseff e Ricardo Teixeira para usarem o prestígio a fim de melhorar a comunicação com a Fifa, Pelé e Ronaldo aproveitaram a passagem por Zurique para o prêmio Bola de Ouro e trataram de assuntos relacionados à Copa do Mundo de 2014. No último ano, atritos entre a entidade, o governo brasileiro e Comitê Organizador Local (COL) provocaram rusgas e criaram entraves na organização do Mundial.

Pelé foi enviado como representante do Governo na condição de embaixador da Copa do Mundo do Brasil. Ao subir no palco da entrega de prêmios, falou em nome de Dilma e fez um convite para que todos possam ir ao Brasil para o Mundial. Sentou ao lado de Blatter na primeira fileira e durante toda a festa mostrou proximidade com o presidente da Fifa.

Nos bastidores, Pelé serve como interlocutor para aparar as arestas depois de um final de ano tenso entre governo brasileiro e a Fifa por conta da Lei Geral da Copa. A entidade cobra agilidade e o governo diz tratar o tema como prioridade, segundo nota divulgada, nesta última segunda-feira, pela Agência Brasil.

Mas até o momento alguns pontos do texto estão em abertos e as divergências persistem. A liberação de bebidas alcoólicas e a disponibilização de ingressos de meia-entrada seguem como principais entraves de um assunto que se arrasta há meses. Em novembro, o secretário-geral da Fifa, Jeróme Valcke, foi pessoalmente ao Brasil tratar sobre o assunto.

Fogo cruzado

Ronaldo, por sua vez, viajou a Zurique como convidado da Fifa na condição de ex-estrela do futebol. Recém-aposentado, fez um pequeno discurso sobre a sua carreira antes de entregar o principal troféu da noite para Lionel Messi. A princípio, sua passagem por Zurique não tinha relação com a sua condição de membro do Comitê Organizador Local, cargo que aceitou após convite do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Sentado no segundo setor do auditório, Ronaldo ficou quatro fileiras atrás de Blatter, em uma distância que, se comparada a Pelé, ilustra o tamanho da diferença nas divergências entre o presidente da Fifa e o novo "chefe" do ex-atacante. Blatter e Teixeira travam uma batalha política nos bastidores da entidade e Ronaldo tem o papel de entrar no fogo cruzado e preservar os assuntos relacionados à Copa de balas perdidas.

No último ano, a Fifa elevou as cobranças em cima do COL por conta de atrasos no cronograma do Mundial no mesmo passo que a distância entre seus presidentes aumentava. O diálogo praticamente cessou e Ronaldo foi chamado exatamente para emprestar sua imagem ao comitê e retomar a comunicação e criar uma nova agenda.

Ausente na festa de gala, Ricardo Teixeira não escapou de indiretas de Blatter durante a premiação. O presidente disse repetidas vezes que a entidade está combatendo os casos de corrupção e fazendo limpeza para recuperar a credibilidade. Blatter promete desde outubro a publicação de um dossiê sobre o caso ISL no qual, segundo a rede britânica BBC, Teixeira é incriminado. Apesar de entraves jurídicos terem sido superados, a Fifa ainda não marcou nova data para divulgar os documentos.