Nômade com salário simbólico: veja vida de Mineiro na 4ª divisão alemã

Contrato de três anos, salários pomposos e um plano de carreira para seguir no clube após a aposentadoria. Em 2007, o São Paulo fez de tudo para manter Mineiro, mas, então aos 32 anos, ele preferiu tentar a vida na Europa. Assinou com o Hertha Berlim, da Alemanha, e hoje tem vida quase impensável para um jogador de futebol que já esteve no topo. Ainda mais impensável para quem, há seis anos, foi o herói do tricampeonato mundial são-paulino e autor do único gol na vitória sobre o Liverpool na decisão.

O Terra foi a fundo para saber mais sobre a vida de Mineiro na Alemanha. Hoje, ele é o camisa 12 e principal nome do TuS Koblenz, o lanterna da Regional Liga West, quarta divisão do futebol local. Faz trabalhos junto a uma associação religiosa, se formou treinador, recebe salário simbólico e vive recluso. Há meses, o herói são-paulino se nega a atender jornalistas.

"Ele teve problemas com uma entrevista por telefone e desde então só atende os jornalistas do próprio clube", conta Julian Tureq, assessor de imprensa do TuS Koblenz. Ex-superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha mantém contatos eventuais com o jogador e dá detalhes sobre a aventura pela quarta divisão.

"Ele quis morar na Europa. A mulher dele estava fazendo cursos de moda e não quis voltar para o Brasil. Então ele preferiu ficar por lá e apoiar o sonho e o investimento da mulher dele", conta Marco, hoje vereador em São Paulo. "Ele joga por passatempo, para acompanhar a mulher. Não é uma necessidade".

Segundo o Terra apurou, os salários de Mineiro não chegam a 2 mil euros por mês (R$ 4,8 mil). Ele é pago pela SRS Profisport, espécie de associação religiosa que faz trabalhos sociais. O jogador participa de eventos do órgão e atua pelo TuS Koblenz. "É um acordo que temos com a SRS", conta Thomas Theisen, diretor do clube, em entrevista ao Terra.

Foi Theisen quem convidou Mineiro para atuar no Koblenz, em 2010, ao conhecê-lo em uma ocasião curiosa. "Ele veio até nossa cidade para fazer um curso internacional de treinador e eu comandava as aulas", lembra Thomas. Ele se mostra satisfeito pelo contratação de um ex-jogador da Seleção. "É o nosso melhor nome. É o mais experiente e tem ajudado muito porque temos vários jovens". Sem regalias, o herói são-paulino chega a treinar cinco dias por semana.

Apesar do esforço de Mineiro, o TuS Koblenz vive momentos difíceis na quarta divisão e amplia a decadência. Há dois anos, estava na segunda divisão, mas colecionou um par de rebaixamentos consecutivos e hoje é o lanterna da última divisão local. Um destino improvável para quem, há seis anos, fez o gol do tricampeonato mundial do São Paulo.