Tri mundial, Cafu cita final de 1992 e aposta no Santos contra Barça 

Poucos jogadores brasileiros têm uma experiência tão grande em Mundiais de Clubes quanto Marcos Evangelista de Morais, o Cafu. Campeão do torneio em 1992 pelo São Paulo diante do Barcelona, o ex-lateral direito, 41 anos, mostra confiança na possibilidade de o Santos repetir o feito e bater a equipe espanhola na final do evento no próximo domingo, no Estádio Internacional de Yokohama, no Japão.

"Eu acho que é possível. Já aconteceu na nossa época e pode acontecer agora também com o Santos", analisa Cafu, que se dirigiu ao autódromo de Interlagos, em São Paulo, nesta sexta para participar de um desafio com motos de competição ao lado do também ex-jogador Denílson.

Em Mundiais, Cafu já esteve "tanto do lado de cá (sul-americanos) quanto do lado de lá (europeus)", como gosta de frisar, visto que venceu o torneio pelo São Paulo em 1992 e 1993 e pelo Milan em 2007. Na primeira chance, era um meia-atacante do time dirigido por Telê Santana que superou o Barcelona em Tóquio por 2 a 1.

Naquela partida o clube catalão contava com os meias Hristo Stoichkov e Michael Laudrup e o volante Josep Guardiola, justamente o técnico do Barcelona atual. "Não existe comparação (entre as equipes). São dois timaços que ganharam tudo", observa Cafu.

Para aquele time de Stoichkov, na verdade, faltou conquistar exatamente o Mundial, o qual o elenco cujo expoente é o atacante Lionel Messi já garantiu: foi em 2009, com uma vitória por 2 a 1 sobre o Estudiantes, da Argentina. E, conforme vem ressaltando Guardiola, seus comandados estão muito motivados para buscar o segundo troféu.

"A Liga dos Campeões é mais importante (para os europeus) - não temos que ser hipócritas, essa é uma realidade -, mas o Mundial também está se tornando uma competição importantíssima. O Barcelona tem condições de conquistar o bi, mas acho que o Santos vai atrapalhar o caminho deles", prevê Cafu.

Ele só não gosta de opinar sobre o encontro entre Messi e Neymar, que tem estampado as manchetes da imprensa internacional nos últimos dias. "O confronto é Santos e Barcelona. Se você pensar no confronto único Neymar e Messi vai acabar com o futebol. De repente eles não estão em um dia legal - não vai ter jogo? São duas grandes potências do futebol", afirma.

O estádio da sorte 

Na torcida pelo representante brasileiro, Cafu nega a existência de uma tática ideal para parar a equipe espanhola, que conquistou três Campeonatos Espanhóis e duas Ligas dos Campeões desde que Guardiola assumiu como treinador, em junho de 2008: "é jogar o futebol que o Santos sabe, sem medo. Claro que se você for para cima do Barcelona vai deixar muito espaço atrás, mas é o Santos fazer o que fez até agora para chegar até aqui".

Porém, existe ao menos um "talismã" com o qual o time alvinegro pode contar: o Estádio Internacional de Yokohama, palco da final da Copa do Mundo de 2002. "Sem dúvida temos boas recordações, conseguimos conquistar vários títulos lá. A memória é sempre boa em relação a Yokohama", lembra Cafu, que ergueu a taça do penta da Seleção Brasileira na competição logo após a vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha.

No mesmo estádio, ele faturou com o Milan o Mundial de Clubes de 2007, quando o Boca Juniors foi batido na final por 4 a 2. Quatro anos antes, a mesma partida havia decidido o torneio: na única má lembrança do ex-lateral em relação à cidade japonesa, a arena foi palco do título argentino, que ganhou por 3 a 1 nos pênaltis depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal.