Retrospectiva 2011 - esporte: a trajetória dos clubes cariocas 

O ano de 2011 acabou com as dúvidas daqueles que ainda pensavam que as recentes conquistas do futebol carioca tratavam-se de episódios isolados. Embora, ao contrário de 2009 e 2010, o título do Campeonato Brasileiro não tenha ficado na cidade, os clubes ocuparam as primeiras posições da tabela durante todo o torneio. Apenas o Botafogo não conseguiu a vaga para a Libertadores. 

Mas o grande destaque da temporada foi o Vasco. Campeão da Copa do Brasil, o cruzmaltino quebrou um jejum de 8 anos sem títulos e devolveu o orgulho a sua  torcida. Confira um resumo do que aconteceu com cada um dos quatro grandes este ano.

Vasco: o gigante renasce

No segundo ano após a volta à Série A, o Vasco dá indícios de que um novo rebaixamento estaria por vir. Perde as três primeiras partidas do Carioca para equipes pequenas, demite o treinador PC Gusmão e dispensa Carlos Alberto por indisciplina. Ricardo Gomes assume o comando na sexta rodada da Taça Guanabara e a equipe vence pela primeira vez. Em seguida, goleia o América por 9 a 0 e mostra que algo havia mudado.

Com os reforços de Bernardo, Diego Souza e Alecsandro, a equipe chega à decisão da Taça Rio, mas é derrotada pelo Flamengo nos pênaltis. Na Copa do Brasil, bate o Coritiba na final e dá fim a um jejum que durava 8 anos. Já classificado para a Libertadores, não diminui o ritmo no segundo semestre. Supera o trauma do AVC de Ricardo Gomes, chega às semifinais da Sul-Americana e briga pelo Brasileirão até a última rodada. O vice, desta vez, não é amargo. Embora não tenha conquistado o título, a torcida tem a consciência de que o time voltou à elite do futebol nacional, de onde nunca deveria ter saído.

O AVC de Ricardo Gomes

Ricardo Gomes sofre um AVC durante a partida entre Flamengo e Vasco no dia 28 de agosto. Ele é levado para o Hospital Pasteur, onde é submetido a uma cirurgia para a drenagem de um hematoma no cérebro. Após ficar 21 dias internado, o treinador recebe alta hospitalar e continuou o tratamento em casa. Em novembro, os médicos anunciam que ele está totalmente recuperado e sem sequelas.

Flamengo: bom, mas não o suficiente

Comemorando 30 anos das conquistas da Libertadores e do Mundial, o Flamengo aposta em Ronaldinho Gaúcho para tentar repetir o feito. O craque, cuja contratação se transformou em uma novela, é recebido de maneira apoteótica, mas vive uma temporada irregular. Alterna grandes apresentações, que o levam de volta à Seleção Brasileira, com atuações pífias, que provocam a ira dos rubro-negros.

O clube conquista o quarto Campeonato Carioca invicto de sua história e mantém uma longa série sem derrotas, que só é quebrada pelo Ceará nas quartas-de-final da Copa do Brasil. O time inicia bem o Brasileirão, realiza um jogo memorável contra o Santos, mas fica dez rodadas sem vencer e começa a dar sinais de que não brigaria pelo título. Luxemburgo é questionado pela torcida e demonstra destempero quando se irrita com os atletas após um deles 'soltar um pum' durante uma preleção. No fim, fica a vaga na Libertadores. Muito pelo que o time fez, pouco para o que dele se esperava.

Fluminense: entre ratos e guerreiros

Campeão nacional em 2010, o Fluminense começa a temporada cercado por expectativas e por turbulências fora de campo. O técnico Muricy Ramalho - que ficou no Tricolor após receber convite para a Seleção - pede demissão e critica a estrutura do clube. Segundo ele, até ratos circulariam nas Laranjeiras. O atacante Emerson Sheik, por sua vez, supostamente canta uma música do Flamengo e tem o contrato rescindido. Dentro das quatro linhas, o time não chega a nenhuma final de turno, mas termina o Carioca na segunda colocação. Na Libertadores, após um início ruim, avança às oitavas-de-final de forma heróica, mas é eliminado pelo Libertad-PAR.

Sem Muricy, o Fluminense espera três meses para repatriar Abel Braga,então no Al Jazira, dos Emirados Árabes. Ele assume na quarta rodada do Brasileirão, mas leva algum tempo até conseguir encontrar a formação ideal. Aos poucos, com a assimilação da nova filosofia de trabalho e a volta do bom futebol de Fred e Deco, o Tricolor deixa de ser uma equipe irregular e mostra-se envolvente. Engata vitórias seguidas, faz a melhor campanha do segundo turno e classifica-se para a Libertadores.

Botafogo: da euforia à depressão

O Botafogo é a grande decepção do futebol carioca em 2011. Presente nas decisões dos últimos cinco Estaduais, não chega sequer a classificar-se para a fase final da Taça Rio e deixa a competição mais cedo. Joel, taxado de retranqueiro pela torcida, pede demissão e é substituído por Caio Jr, que promete um time mais ofensivo. Com o novo treinador, nova frustração: em partida polêmica, o alvinegro é eliminado da Copa do Brasil pelo Avaí.

No Brasileiro, a proposta do treinador parece funcionar. O time consegue triunfos importantes e consegue se manter no topo da tabela até a 30ª rodada. A euforia é tanta que, no duelo contra o Ceará, cerca de 5 mil torcedores ficam do lado de fora do Engenhão por falta de lugares. Mas a boa fase daria lugar à crise. Após uma longa sequência sem vitórias, os critérios de Caio Jr. passam a ser questionados. Chamado de 'Professor Pardal', é vaiado constantemente até ser demitido a três rodadas do fim do torneio. O time continua sem vencer e termina em uma melancólica nona posição, longe da Libertadores.