Leandrinho se despede do Flamengo sonhando com volta para a Seleção

Não foi um adeus, mas apenas um até logo, a despedida do ala-armador Leandrinho do time que defendeu nos últimos três meses, o Flamengo. Em seu último jogo vestindo a camisa rubro-negra, o jogador do Toronto Raptos fez a festa dos torcedores, que compareceram em peso ao ginásio do Tijuca Tênis Clube, zona norte do Rio, para assisti-lo. Mais uma vez Leandrinho foi fundamental (fez 24 pontos) na vitória do time carioca, sobre o visitante, a Liga Sorocabana, por 93 a 55. O jogador deixa o time no primeiro lugar do NBB.

Depois do fim da greve dos jogadores da NBA, o ala-armador embarca na próxima semana para Toronto, onde volta a vestir a camisa do time canadense.

"Essa camisa vermelha e preta, ficará guardada num lugar especial. Lá no Toronto quero ver se consigo pegar a camisa de número 28, que foi o meu número aqui. Esse número me deu sorte no Flamengo, e espero que dê lá também. Vou embora realizado. Sabendo que fiz um bom trabalho. As pessoas me param na rua e falam que estão tristes com a minha saída. É muito difícil escutar isso, mas tenho um contrato a cumprir", afirmou Leandrinho.

A contratação do jogador pela presidente Patrícia Amorim só foi possível porque os bancos BMG e Plural arcaram com o salário de R$190 mil. Valor considerado alto para o basquete brasileiro, mas muito abaixo dos pagos pela Liga Americana.

Depois de cinco meses e meio parado por conta de uma lesão crônica do punho direito, e de pedir dispensa da seleção brasileira que disputaria o pré-olímpico na Argentina, em julho, o jogador aceitou a proposta da presidente Patrícia Amorim em agosto para defender o clube carioca, enquanto o locaute da NBA continuava.

"Estou extremamente feliz de ter participado dessa equipe. Jogar no Flamengo, um time de massa, é fantástico e apaixonante. E deixar a equipe na primeira posição me dá tranquilidade, de que ajudei a fazer um bom trabalho. Quero muito que esse trabalho vitorioso que começamos juntos, continue. Esse grupo tem grandes chances de lutar pelo título, basta eles acreditarem. É um grande time, uma grande força, que tem apoio de todos os lados. Então tenho certeza que vai dar certo e me despeço extremamente feliz e realizado".

Retrospecto de Leandrinho vestindo a camisa do Flamengo

O ala-armador disputou 15 jogos com a camisa 28 do Flamengo, onde conseguiu com a equipe 13 vitórias. Foram quatro amistosos (Brasília, Uberlândia (2) e Tijuca); dois jogos pelo Estadual (finais contra o Tijuca); três pela Liga Sul-Americana (UTE, Boston College e Atenas); e seis pelo NBB (Paulistano, Pinheiros, Minas, Brasília, Bauru e a Liga Sorocabana). Também assegurou um título (hepta estadual), a vaga no hexagonal da Liga Sul-Americana e a liderança do NBB.

"Quando cheguei aqui, me falaram que defender essa camisa era diferente, hoje sei que é verdade, é uma sensação indescritível. Espero voltar a vestir essa camisa novamente, e se possível o mais breve possível", disse.

Quando o assunto é Seleção Brasileira e os Jogos Olímpicos de Londres no ano que vem, o jogador é mais reticente com sua convocação, e com o apoio que o técnico rubro-negro, Gonçalo Garcia, pode dar para sua escalação na seleção de Rubén Magnano.

"Jogar na Seleção é o sonho de qualquer atleta. Não sei se o fato de ter jogado no Flamengo, ao lado do Gonçalo, facilita minha convocação para a Seleção. Isso só o Rubén pode falar", disse.

Já para Samara Fellipo, mulher do Leandrinho, a notícia foi um baque para o jogador, que não esperava o fim da greve antes de 2012.

"Nós sabíamos que uma hora ou outra iria acabar. Mas não antes do Ano Novo. Ele já viaja na segunda, e eu e a Alicia vamos antes do Natal, para passar as festas de fim de ano lá. Esse tempo que ficamos juntos aqui foi maravilhoso, criamos uma rotina de casal, coisa que não existia no nosso casamento. Sempre tivemos um casamento atípico, por causa das nossas carreiras. E esse tempo nos uniu mais, e ele pode acompanhar de perto o crescimento da nossa filha. Torço muito para que ele volte a jogar no Brasil. Mas o apoio na decisão que ele tomar", afirmou a atriz

O locaute da NBA não serviu só para aproximar Leandrinho da torcida carioca e brasileira, mas serviu também para o jogador ficar mais próximo de sua filha Alicia de 2 anos.

"Esse foi um momento muito importante que passei com a Alicia, a Samara e a minha família. Geralmente eu fico lá muito sozinho. E aqui eu pude cuidar e ver a Alicia crescer. Eu e a Samara temos os nossos trabalhos, procuro entender isso e ela também, mas esse tempo aqui foi maravilhoso. Dispensamos até a babá para ficarmos mais tempo juntos com a nossa filha. Dá trabalho cuidar de criança, mas é muito bom. Aproveitei tudo que tinha para aproveitar, fico sem palavras. Acho que essa greve foi muito boa, para eu poder ficar mais próximo delas".

Para o diretor de basquete do Flamengo, Arnaldo Szpiro, a saída do Leandrinho veio antes do esperado. O jogador tinha assinado com o Flamengo até 31 de dezembro, mas o clube sabia que poderia acontecer antes, já que a greve da NBA não tinha data para terminar.

"Primeiro estou chorando com a saída dele. Ele vai fazer muita falta, não só pelo jogo dele, como também pela presença dele na equipe. O Leandrinho trouxe muito mais que um bom jogo. Ele trouxe uma mídia forte para o NBB, uma força para o grupo, e uma lição de NBA que muitos dos nossos jogadores não tinham. Então com certeza ele fará muita falta. Mas quem sabe no final da temporada lá, esse namoro não vira casamento novamente", declarou Szpiro.