Tênis: de técnico novo, Bellucci minimiza pressão no ranking por Londres 2012

Uma vaga que era praticamente certa para o Brasil no torneio de simples masculino da Olimpíada de Londres 2012 não está mais tão garantida assim. Devido a um segundo semestre no qual perdeu 12 das 19 partidas disputadas, Thomaz Bellucci caiu da 28ª para a 37ª posição do ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) e precisa se destacar no início da próxima temporada para poder viajar à Inglaterra. Apesar de pressionado, o número um do País nega estar nervoso com a situação.

"Acho que de maneira alguma (me sinto pressionado)", diz ele, em entrevista exclusiva concedida ao Terra durante o ATP Challenger Finals, realizado em São Paulo entre 16 e 20 de novembro. "A Olimpíada é um torneio legal, é um objetivo que tracei para o ano que vem. Lógico que gostaria de ter feito mais pontos no segundo semestre porque iria me ajudar a classificar, mas agora não posso pensar no passado, tenho que pensar no futuro". Isso inclui o técnico argentino Daniel Orsanic, anunciado como substituo de Larri Passos nesta quarta-feira.

Ao todo, 64 atletas participarão do evento individual de tênis nos Jogos Olímpicos. Os 56 melhores do ranking de 11 de junho de 2012 entram diretamente - com um máximo de quatro representantes por país; a ITF (Federação Internacional de Tênis, que coordena a competição) distribuirá ainda seis convites, e a mesma entidade, ao lado da ATP e do COI (Comitê Olímpico Internacional) chegarão a um acordo para convidar mais dois jogadores.

Atualmente o 37º do planeta, Bellucci teria tranquilidade se a lista de inscrições fechasse agora. Porém, 875 dos 1.060 pontos que o paulista soma atualmente no ranking expiram antes de 11 de junho. Se ele perdesse todas essas unidades, somaria apenas 185 e despencaria para a 258ª posição - fora, portanto, de Londres 2012.

"Ao mesmo tempo em que tenho muitos pontos a defender são os torneios que eu mais gosto de jogar. Então me vejo com bastante condições de participar da Olimpíada", analisa, lembrando que o início da temporada reúne os principais campeonatos de saibro do mundo. Especializado na superfície, Bellucci foi semifinalista do Masters 1000 de Madri em maio passado, quando superou o atual número quatro do mundo Andy Murray e o sete Tomas Berdych, e do ATP 500 de Acapulco em fevereiro, quando bateu o então top 10 Fernando Verdasco.

O ano que vem será peculiar para os tenistas não apenas porque um evento importante será incluso em um calendário já apertado, mas porque a temporada de grama será maior. Normalmente restrita a apenas cinco semanas, o calendário do piso verde será ampliado, com o All England Lawn Tennis Club recebendo o Grand Slam de Wimbledon entre 25 de junho e 8 de julho e a competição olímpica de 28 de julho a 5 de agosto.

"Na grama o jogo é um pouco diferente - às vezes você vai mal e ganha, às vezes vai bem e perde. É uma questão de chegar lá duas, três semanas antes para se adaptar. Espero que seja um torneio em que eu jogue bem porque é um torneio diferente. Defender o País é sempre uma motivação a mais", comenta Bellucci.

Em 2012, o campeão olímpico receberá, além da medalha de ouro, 750 pontos no ranking mundial. A soma é importante, ficando atrás no circuito apenas do 1 mil distribuídos pelos nove Masters 1000, dos 2 mil concedidos pelos quatro Grand Slam e dos 1.500 que podem ser dados no ATP Finals caso o ganhador tenha uma campanha invicta.

A partir de Sydney 2000 a ITF iniciou uma parceria com a ATP para distribuir pontos na Olimpíada. A novidade mudou o panorama do evento de tênis - que retornou ao programa olímpico em 1988 e anteriormente era bastante ameaçado de exclusão pela falta de interesse das grandes estrelas, sendo que Atlanta 1996 só contou com três top 10.

O evento de Pequim 2008, por exemplo, reuniu 17 dos top 20, e a ausência de maior peso foi a do americano Andy Roddick, que preferiu se preparar para o Aberto dos Estados Unidos, que começa em agosto. O ouro foi para o peito do espanhol Rafael Nadal. Astros como o sérvio Novak Djokovic, medalhista de bronze, o suíço Roger Federer, eliminado nas quartas de final, e o britânico Andy Murray, que caiu logo na estreia, também atuaram.