Família e Bragantino entram em rota de colisão após morte de zagueiro 

A família de Gustavo Valezzi, zagueiro do Bragantino que morreu no último domingo (27) vítima de câncer, questionou as declarações divulgadas pelo clube em solidariedade ao atleta. Marquinhos Chedid, presidente do clube paulista, e Adriano Spadoto, amigo de Gustavo que intermediou seu acerto com a equipe, afirmaram que Gustavo recebeu apoio da equipe, fato que foi negado pela família do zagueiro e pela empresa que gerenciava sua carreira.

O fato expõe um racha entre as duas partes, segundo apurou o Terra. Com o apoio da Energy Sports, empresa que gerenciava a carreira do atleta, a família cobra o pagamento dos direitos de imagem de Gustavo Valezzi referentes a 2011. Do outro lado, estaria Marquinho Chedid, presidente do clube. Uma fonte ligada à equipe afirma que "o dinheiro de imagem não poderia ser pago, porque ele não estava jogando".

"A mãe dele me disse que ontem (sábado, 26) que ele pediu para agradecer o apoio que o presidente Marco Chedid, do Bragantino, deu a ele durante todo este período que a doença o pegou. Outra pessoa que foi lembrada com carinho pelo Gustavo, foi o Juninho, diretor de futebol do Mirassol", disse Spadoto na nota divulgada pelo site do clube no dia 27.

O comunicado divulgado pela família, porém, rebate o fato. "Ressaltamos que o Gustavo já estava em uma fase avançada de sua doença quando morreu, apresentando grandes dificuldades de comunicar-se nas últimas semanas, razão pela qual não procedem as informações prestadas à imprensa pelo senhor Adriano Spadoto, no sentido de que o Gustavo teria pedido a sua mãe para 'agradecer o apoio que o presidente Marco Chedid deu a ele durante todo este período que a doença o pegou'. Lamentamos tais declarações levianas e improcedentes, denotando o oportunismo de determinadas pessoas em situações de enorme tristeza como a presente", afirma o comunicado.

Ainda segundo a nota, "o Clube Atlético Bragantino, na pessoa de seu presidente, senhor Marco Chedid, a quem supostamente o Gustavo teria agradecido todo o apoio dado no período da doença, deixou de pagar a remuneração devida ao atleta a título de 'imagem' tão logo iniciado o tratamento da doença, bem como atrasou e deixou de efetuar o pagamento dos últimos salários pactuados no contrato de trabalho. Ao que nos consta, o clube igualmente deixou de contratar qualquer seguro tendo como beneficiário o atleta e sua família, deixando a família em uma situação de total desamparo".

A nota é assinada pelo pai do ex-jogador, Armando Valezzi, pela mãe Cleide, pela irmã Jokasta e pela namorada Élida. Gustavo, 22 anos, estava afastado dos treinamentos desde o início da temporada e morreu após longo tratamento no Hospital do Câncer, em São Paulo. Em sua carreira, o ex-zagueiro passou por Mirassol (2007 e 2008), Bragantino (2008 e 2009, voltando em 2011), Internacional (2009) e Atlético Sorocaba (2010). Em Porto Alegre, jogou com o atacante Leandro Damião no time B do Inter.

Segundo o clube, Gustavo se submeteu a duas cirurgias em 2011 e não conseguia mais andar. "Um de seus empresários era dono do Hospital São Paulo e não desamparou o atleta. O mesmo fez o Bragantino, com quem Gustavo tinha mais um ano de contrato", assegurou o clube em seu comunicado.

Procurado pelo Terra, o clube repassou parte da responsabilidade. "A declaração foi dada pelo Spadoto", disse uma fonte, descartando o atraso de salários apontado pelos familiares. Marquinho Chedid está de férias e viajando. O empresário, por sua vez, assegurou que acompanhou Gustavo até seus últimos dias, e estranhou a posição dos familiares.

"Eu acompanhei até o final o procedimento dele. Ele sempre elogiou o Bragantino, que pagou o salário dele, e o Mirassol. A Energy Sports deu toda a assistência a ele, com o Cristiano Lamardo (representante da empresa). Estranho eles terem falado isso. A Energy Sports acompanhou muito ele até o final, deram toda a assistência até o fim. No Bragantino, ele ficou três anos vinculado, mesmo com a doença", afirmou Spadoto, por telefone.

O amigo do atleta negou ainda a informação de que o jogador não conseguia mais conversar - e que, por isso, não poderia ter dado a declaração. "Lógico que falava. No finalzinho, nos últimos dias, ele estava de cadeira de rodas, não conseguia comunicar mais. Mas até um mês atrás, ele estava normal", disse o empresário, que cuida da carreira de atletas como Bruno Aguiar (Santos), Fabinho Capixaba (Criciúma), Eron (Atlético-MG), Gualberto (ABC), Luís Ricardo (Portuguesa), Bernard (Atlético-MG), Ivo (Portuguesa), Sandro Silva (Internacional) e William (Avaí), entre outros.

Em suas declarações, o empresário estranhou o posicionamento da família Valezzi. "Falei ontem (quarta-feira) com a irmã", rebateu Spadoto, ex-jogador de clubes como Santa Cruz, Figueirense, Fortaleza, Guarani e Misassol. "É um menino que eu conhecia desde Mirassol. O que o Bragantino não pagou, a Energy pagou", afirmou.