Médico do GP Brasil diz que risco na Curva do Café é menor na F1

Com acidentes graves que causaram a morte de três automobilistas recentemente, a Curva do Café é um dos setores que mais preocupam os responsáveis pelo circuito de Interlagos, em São Paulo, local que receberá a Fórmula 1 no próximo dia 27 de novembro. 

Na manhã deste sábado, durante o Simulado Geral realizado no autódromo, Pedro Rozalen Júnior, médico responsável pelo atendimento aos pilotos na prova, admitiu o risco, mas, ao mesmo tempo, tranquilizou os pilotos.

"Há sim uma preocupação com a Curva do Café. Há uma ambulância e equipe de remoção permanente no local, mas para a Fórmula 1 o risco é menor, pois é praticamente só uma curva comum, ao contrário da Stock Car e outras categorias", afirmou Rozalen, que atua no atendimento aos pilotos desde 2001.

Mesmo considerando uma possibilidade menor de um acidente no local durante a disputa da principal categoria automobilística, o médico do Hospital São Luiz disse que um dos resgates mais dramáticos vividos por ele aconteceu no local. Em 2003, o espanhol Fernando Alonso envolveu-se em uma batida com o australiano Mark Webber nesta curva e preocupou bastante Rozalen.

"Estávamos assistindo e sabíamos que iríamos atendê-lo logo depois. Recordo que até o cockpit do Alonso, que é bem resistente, rachou", contou. No ano de 2007, o piloto Rafael Sperafico morreu no local durante uma disputa da categoria Stock Light. Já neste ano, morreram em acidentes na Curva do Café o fotógrafo e piloto de moto João Lisboa, em um track day, além de Gustavo Sondermann, durante a Copa Montana.

Para Rozalen, as tragédias recentes não aumentam a pressão da equipe médica no GP Brasil de 2011. "A pressão é inerente ao esporte, que é de risco. Nossa parte é analisar a situação para melhorar o atendimento", avaliou.

No dia da corrida, serão 12 ambulâncias e dois helicópteros cobrindo totalmente o circuito. A intenção da equipe de resgate e atendimento, de acordo com o médico responsável, é manter o bom trabalho dos últimos anos, que já rendeu elogios até de Gary Hartstein, delegado médico da FIA.

"Isso sim aumenta a pressão. É questão de ter a confiança da FIA e dos pilotos para que possam fazer seus trabalhos com tranquilidade aqui", disse. O GP do Brasil de Fórmula 1 acontece no fim de semana dos dias 25, 26 e 27 de novembro.